E esse período tem um nome: Kali Yuga. O período de fim de um ciclo, de termino de uma manifestação global do mundo como o conhecemos.
Kali Yuga, ou Idade das Trevas, é o último período de manifestação do Demiurgo criador desse mundo, período no qual os Espíritos encontram-se mais sujeitos e presos ao engano da matéria criada, onde a lembrança e a memória de algo esquecido, longinquo e misterioso – que é a marca do verdadeiramente divino e Não-criado (e por isso eterno) na existência dos homens: o Signo da Origem – encontra-se praticamente extinta. Nesse sentido, o homem que busca, aquele que expressa a Transcendência como manifestação do aprisionamento espiritual e sua insatisfação com este estado decadente, só tem uma visão possível para a época em que vivemos: o caos. O mundo da matéria é o inferno para o Espírito aprisionado, agora eleve esta situação ao grau da completa ruína, da completa destruição e confusão, e chegaremos àquilo que é a Kali Yuga.
Tal período, tendo sido anteriormente precedido por mais três Idades, a citar: Satya Yuga, Treta Yuga e Dwapara Yuga, é aquele onde as identidades são corrompidas, onde os princípios e os entes são relativizados, materializados e nivelados num macro-processo de assimilação global, o qual chamamos Sinarquia, ou seja, na Kali Yuga, a Sinarquia encontra sua mais ampla conformação, e o Eu se encontra no mais alto grau de confusão e corrupção. A junção das quatro Idades forma o Manvantara, um período de manifestação do Demiurgo, um ciclo cósmico pensado e fluido de sua consciência. Em vista da primeira Idade, a Satya Yuga, percebe-se o sentido involutivo e decadente que a noção de transcorrer temporal toma dentro da analise gnoseológica da Sabedoria Primordial, pois além do próprio processo de caráter decadente em si, vemos o quanto a prisão kármica vai se fixando nas seqüentes manifestações cíclicas, aprisionando, cada vez mais o Espírito Eterno. É o Tempo Transcendente, o eterno fluir da consciência do Demiurgo que transcorre para carrear a Essência Divina no ciclo de vida e morte.
Como derivados desse conhecimento hiperbóreo, temos relatos semelhantes de Idades históricas com o mesmo sentido involutivo, espalhados pelos diversos povos de linhagem originalmente hiperbórea; de onde se parte de um homem integralmente espiritualizado, em consonância direta com os Deuses – constituindo a Idade de Ouro para os gregos, por exemplo – , chegando-se a um ser primitivo, movido por instintos inferiores e materialistas a semelhança de um verdadeiro homem-animal – que é a Idade a qual nos encontramos, onde o virya ignora o divino em seu ser e age e pensa como o pasú. A mesma denominação e o mesmo sentido esta Idade recebe no Hinduísmo. Vale aqui a transcrição de um trecho do grego Ovídio relativo a Idade de Ferro, de como se daria a essência desta Idade:
“A última foi a que teve a dureza do ferro; nesta Era de um metal tão vil apareceu toda classe de crimes, fugiram o pudor, a verdade e a boa fé e ocuparam seu lugar a fraude, a perfídia, a traição, a violência e a paixão desenfreada das riquezas. O marujo entregava as velas ao vento que ainda não conhecia suficientemente e as madeiras dos navios, que durante tempos haviam estado nas alturas dos montes, se lançaram às águas desconhecidas e o canto agrimensor assinalou limites longos à terra, antes comum, como a luz do sol e os ares. E não somente se exigia à fecunda terra as colheitas e alimentos devidos, senão que se penetrou em suas entranhas e se arrancaram os tesouros que excitavam todos os males, que ela havia sepultado e havia ocultado na sombra da Estígia. E já havia aparecido o daninho ferro e o ouro, muito mais que o ferro; aparece a guerra, que luta com cada um dos dois, e com sua mão ensangüentada agita as ressonantes armas. Vive-se da rapina, o anfitrião não está seguro de seu hóspede nem o sogro do genro; também é rara a concórdia entre os irmãos. O esposo trama a perdição da esposa e esta a de seu marido; as terríveis madrastas mesclam insidiosos venenos; os filhos, antes do tempo, se informa sobre a idade do pai. Jaz por ele somente a piedade vencida e a donzela Ástrea, a última dos imortais, abandona a terra empapada em sangue”.
Entretanto, é importante deixar claro que tais relatos dessas Idades já possuem um certo sentido decaído (influencia dos sacerdotes fenícios deturpadores), uma vez que o verdadeiro conceito hiperbóreo das Yugas é de essência transcendente, pois a Idade de Ouro não ocorre, propriamente, na Terra, no mundo – como criação material do Demiurgo –, não é um paraíso terrestre construído por um homem feliz e semi-divino, e sim, precisamente, é um conceito relativo à Pátria original do Espírito, ou seja, a lembrança da Origem Divina, a intuição espiritual da Origem perdida. Apesar de inspirada no mesmo sentido decadente e involutivo – e isto é o mais importante – , essa noção da Idade de Ouro como paraíso terrestre e do homem dessa época como um ser semi-divino, pacífico e feliz, é a expressão da herança pasú que se encontra com o virya; é uma recordação do pasú, de sua origem terrestre, mesclada com a herança transcendental do Espírito Divino Hiperbóreo contida no virya. É impossível que exista qualquer noção de harmonia do Espírito com a Criação, ele nunca esteve “em paz” ou em equilíbrio, em qualquer época que seja, com a obra daquele que o aprisionou. Portanto, a verdadeira “Idade de Ouro”, neste sentido, jamais ocorreu nesse mundo, e nunca ocorrerá, e o homem semi-divino, o qual, supostamente, habitaria o mundo nesta época, não é menos beligerante e guerreiro do que em qualquer outro puro descendente das Estirpes Hiperbóreas.
Portanto, vemos uma clara tendência evolutiva e progressista na divisão da História do Homem de acordo com a visão sinárquica, em Idade Antiga, Média, Moderna e Contemporânea, o que, no fundo, é a própria expressividade da evolução do Arquétipo Manu em direção à Entelequia. Logo, é o Arquétipo Manu e seu plano evolutivo, o verdadeiro “motor” da história.
A Kali Yuga, como período último de manifestação desta realidade demiúrgica, é a última chance do virya despertar do Grande Engano. É o momento crucial para o Espírito. E os Deuses sabem disso, pois é neste período que a manifestação do Demiurgo dentro de cada um se faz mais forte, a Alma, ela despende toda sua influência gregária e direciona o virya a esquecer sua individuação, seu Eu, e ir em direção ao Demiurgo, por isso, desde de Agartha as estratégias se mostram mais intensas ao mesmo tempo que o Governo Mundial da Raça Sagrada do povo eleito por Deus, se implanta em vantagem sobre os representantes últimos das Raças Hiperbóreas. A percepção coletiva inconsciente desse período se mostra evidente na medida em que observamos, na humanidade atual, uma certa e misteriosa aura de dúvida e ansiedade, de espera por uma mudança ou fenômeno de grandes proporções, uma certa intuição latente que vem a tona quando se ativa o sujeito consciente de forma globalmente expandida. Esse é o Signo da Origem clamando ao último chamado, à preparação para a batalha decisiva para os Espíritos Encadeados, à Sagrada Vingança e a volta à Pátria do Espírito; os viryas despertos, ou já em processo de despertar espiritual, identificam tudo isto como aproximação do kairos determinante, o chamado àqueles que juraram ao Pacto de Sangue lutar contra as hordas dos Siddhas Traidores e demais agentes demiúrgicos.
Afirmamos que os faróis foram acesos para que os viryas vejam suas luzes de orientação, luzes guias que orientam até a porta da origem. São estes kamaradas leais que sustentam bandeiras e convocam todos os demais a guerra total contra a matéria.
Entretanto, em sentido contrário a essa intuição de um misterioso momento crucial – e constituindo-se, propriamente, como um dos fatores determinantes da Kali Yuga –, a potência e a quantidade de armadilhas planejadas pelos Agentes da Fraternidade Branca com o objetivo, justamente, de conter essa possibilidade de despertar dos viryas, é tão grande, que o risco de ser pego numa delas e se prender e afundar ainda mais na confusão é imenso. Doutrinas Shambálicas new-age, milenaristas e proféticas dos mais diferentes tipos são produzidas em escala industrial. Todas elas possuem um fundo lúdico, com forte apelo à esfera afetiva, que intensifica, no virya, o desejo e a conformidade de “salvação”, de ajustamento interno a um Todo que é a Grande Alma Universal, o que, no fundo, é fagocitação em direção ao Criador.
Em vista da urgência e da gravidade em que os Espíritos encontram-se nesta Era, os Deuses Leais numa estratégia poderosíssima adentraram neste plano o Último General de Wothan, a última manifestação do Rei da Raça Branca, afim de mostrar os verdadeiros intentos dos agentes que seguem as leis do Criador e, com isso, despertar o maior número de camaradas dormidos possíveis. A estratégia foi bem sucedida, não aos olhos de um homem normal, que vê apenas a estrutura superficial dos fatos, mas para os viryas que, mesmo após décadas, podem despertar auxiliados pela influência do poder demandado desta estratégia. Assim como no mito de Prometeu (deturpado pelos sacerdotes culturais), filho de Jápeto entrou em ação: roubou uma centalha do fogo celeste, privilégio de Zeus, ocultou-a na haste de uma férula e a trouxe à terra, "reanimando" os homens. O Olímpo (no caso Chang Shamballah dentro do mito deturpado) resolveu punir exemplarmente os viryas e seu benfeitor, por isso que chamamos Wothan também de Lucífer o portador-da-luz (latim) ou chama sagrada, fogo celeste, e etc.
A Kali Yuga é, para o virya, mais do que nunca, o último chamado à batalha. É o vento da Wildes Herr que se aproxima, do último exército de Wothan.
Avitvs Avgvstvs - Legio • VI
Volvntas Invicta!












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