De todos os elementos místicos constituintes das diversas estratégias hiperbóreas contra os agentes da Sinarquia, um dos mais importantes, poderosos e magníficos é, sem dúvida, a Função Régia Hiperbórea.
O Espírito, em seu estado de encadeamento, naturalmente forma sua Aristocracia – a Aristocracia do Espírito – integrada por aqueles camaradas que não apenas possuem a marca da Origem em seu sangue, mas sim aqueles que não se satisfazem com esse estado débil em que o Demiurgo os colocou e lutam, buscam e demonstram, através destas atitudes, a Hostilidade Essencial frente a criação, e erguem suas armas contra as potências da matéria para irem ao auxílio de seus camaradas aprisionados no Grande Engano. O Espírito é essencialmente guerreiro, por isso, a Aristocracia do Espírito determina a formação da Casta Guerreira, casta esta valorizada acima de qualquer outra, que possui o direito e o dever de assumir as rédeas da transmutação coletiva de um determinado povo de estirpe hiperbórea, e de lutar, com todas as armas possíveis e até o fim, contra aqueles que agem em nome do Criador.
Mas como elemento maior, como expressividade máxima da energia espiritual formadora desta Elite, temos o Rei Hiperbóreo, aquele eleito e reconhecido imediatamente como o de mais puro Sangue Astral por todos aqueles que honram o Pacto de Sangue.
O Rei Hiperbóreo é o reflexo exato do primeiro Rei, do primeiro guia da raça de homens divinos: Wothan. Ele foi rei, guia, mestre, soldado e camarada das estirpes hiperbóreas, ensinou-lhes a verdadeira essência desse mundo de puro engano e mostrou a todos que é possível sair do eterno ciclo de vida e morte criado pelo Demiurgo Jehova. Assim como ele, os Reis Hiperbóreos assimilam as mesmas funções, e, por isso, foram, ao longo da História, considerados como reis de origem divina, espalhando seu Sangue pelas diversas linhagens e mantendo a mística da superioridade espiritual dos valores guerreiros sobre a função sacerdotal, e outras mais, estas, por sua vez, próprias da atitude devocional que exige o Criador para sua raça eleita e seu rebanho. Logo, não é o povo que escolhe quem será seu rei, nem mesmo os viryas despertos e nem mesmo a Aristocracia do Espírito (esta apenas o atesta e o honra), o Rei Hiperbóreo é o indicado direto dos Deuses Libertadores. Contudo, fica evidente que tudo isto não se reduz a uma simples questão de eleição. O Rei, eleito como tal, precisa honrar esta escolha, assumir seu destino heróico e ultrapassar os limites do humano para demonstrar uma entrega total à estratégia traçada pelos Deuses; é louvável e digna de menção a história e os
acontecimentos que ocorrem nas vidas daqueles que subiram no ápice desta função eleita pelo Sangue, a energia volitiva que deles emana e o Valor que demonstram. O Rei é a personificação do Triunfo da Vontade.
A Aristocracia do Espírito, a Elite dos Melhores de um determinado povo, é, por sua vez, a essência espiritual do inconsciente coletivo deste povo, é o grupo de guerreiros despertos que surgem dentro de uma determinada estratégia, onde trabalham os símbolos arquetípicos afim de revigorarem a Memória de Sangue deste mesmo povo, são, por isso, o modelo presente e vivo do Ethos Guerreiro. Já o Rei constitui-se nessa mesma essência só que de forma purificada e potencializada ao nível da pura Nobreza, Valentia, Honra e Lealdade.
A Função Régia Hiperbórea tem a meta básica de permitir a união carismática de um povo, dentro da mística de uma estratégia psico-social, num colossal movimento de sincronização entre o povo transmutado, sua Aristocracia do Espírito e seu Rei de Sangue, este já reconhecido como tal. Logo, vê-se que o Rei passa longe de uma mera construção arquetípica, de um mero detentor de poder político e militar, ele é como um Sol, que brilha por si mesmo, sua Vontade, incorruptível e inabalável, inspira a Elite e transmuta todo o povo numa comunidade de Heróis, num movimento ascendente onde todos se elevam ao nível espiritual do Rei e compartilham da visão superior que dele se origina. Esta é a origem da proteção racial a qual todos os povos de linhagem hiperbórea praticam, pois só um povo racialmente coeso, um povo em consonância direta com os vínculos ancestrais e tradições milenares, pode elevar-se a este nível de transmutação astral, uma vez que a miscigenação provoca uma desordem completa no sujeito anímico impedindo, ou dificultando, a ascendência da energia carismática. Por isso os agentes da Sinarquia trabalharam, culturalmente, para apagar da memória de sangue dos povos a noção de preservação racial e, ao mesmo tempo, distorcer o ideal de “Raça do Espírito” reduzindo-o a uma questão meramente biológica e física.
O Carisma, o elemento de cunho não-racional, não-afetivo e não-causal, que emana do Rei de Sangue, bem como de sua Elite, é uma energia que liga, espiritualmente, todos os viryas pelo fato de sua origem divina comum. Não são as capacidades intelectuais e políticas, o porte nobre, a aparência distinta e demais possíveis características individuais, que determinam o poder de um Rei, e sim, seu Carisma. Dentro de uma estratégia psico-social o Rei é o centro da difusão carismática que, amparado por sua fiel Aristocracia, permite aos viryas dissolver sua herança animal – pasú – e resignar todos os símbolos sagrados que antes permeavam a comunidade, além de arquétipos sacralizantes e sócio-culturais gregários que, em uníssono, atuavam no sentido de configurar a comunidade, originalmente de herança divina, em mera massa, homens-formigas, proletários ou consumidores.
Em estrita ligação com a Função Régia temos a constituição do Império Universal, um governo carismaticamente inspirado, com a figura do Rei, o Imperador, como centro energético detentor da essência espiritual que o liga ao seu povo, ao seu solo e à Elite dos Melhores, esta última que, além de sustentar a mística carismática, auxilia o Rei tanto no âmbito espiritual como militar e guerreiro, podendo ser constituída por generais, mestres das artes bélicas, construtores com conhecimentos nas artes líticas e mestres das ciências secretas hiperbóreas. No Império Universal a sociedade dividida em castas impede a influência dos elementos mais inferiores e corrompidos representantes das potências da matéria; o Ethos Guerreiro mantem a conformidade espiritual orgânica dos demais estratos que são, assim, ordenados de acordo com a natureza interna de cada grupo, sem maiores necessidades de elementos materiais para a manutenção deste estado; todos são unidos pelo Rei de Sangue num vínculo carismático o qual denomina-se Aura Catena, a máxima sincronização espiritual entre estes elementos, base de sustentação do ideal imperial. O Império Universal, como aplicação máxima do Princípio do Cerco (que será abordado em futuros artigos), é a completa antítese do ideal da Sinarquia Mundial, é a maior arma contra o caos e a fagocitação os quais são o fim inevitável do processo sinárquico.
Assim foram Grécia Homérica, Esparta, Roma, a Mongólia e várias outras civilizações esquecidas (as quais têm seus registros históricos perdidos); todas sociedades fundadas nas leis do Império Universal, onde o progresso da Sinarquia e seus agentes foram completamente destruídos.
Diante de um elemento de extremo poder a Sinarquia teria de trabalhar arduamente afim de enfraquecê-lo. Assim, ela primeiro potencializa a função sacerdotal para bater de frente com o ideal régio, resultando no primeiro sinal de decadência da Função Régia: a dissolução do elemento divino, de sua essência transcendental que caracterizava o Rei; colocando-se justamente nas mãos da função sacerdotal a atitude perante o sagrado: o que antes era o reflexo da busca que o Espírito empreendia diante de seu aprisionamento, passa para uma atitude devocional de assimilação pelos símbolos sagrados tendente à harmonia kármica com o Criador. A Função Régia transforma-se, assim, numa mera construção arquetípica – Arquétipo do Rei – onde o virya assimila-a, decorrente desta manipulação sacerdotal, de forma telúrica e lunar. A denominação do Rei como “Solis Invictus”, como vencedor sobre as trevas, possui, claramente, uma intima relação com a idéia de Vitória e Glória, que nos remete à Vitória do Espírito ao libertar-se do mundo da matéria; o Sol não apenas brilha, mas luta, vence as trevas que se avizinham e atesta a vitória das forças superiores sobre as que vêm dos domínios inferiores do mundo da matéria. Mas após o decaimento esta denominação perde o sentido e o Rei não é mais honrado; como resultado de um forte direcionamento à esfera afetiva, ele passa a ser amado ou temido, cultuado ou adorado de forma passional, ou, então, valorado como “mal necessário”.
Posterior a este primeiro golpe desferido pelos sacerdotes da Fraternidade Branca, o Arquétipo do Rei passa a ser determinado por elementos materiais, perdendo completamente sua essência transcendental, transformando o Carisma num vínculo humano condicionado apenas pelo poder político, financeiro ou militar, ou reduzindo tal energia a uma simples questão de atração pessoal. A Sinarquia cria e difunde a imagem arquetípica do Rei como um sujeito passivo, comilão, acima do peso, preguiçoso, que adora o luxo e vive às custas do povo explorado (realmente isto ocorreu realmente em algumas monarquias absolutistas decadentes da Idade Moderna). Alie-se a este vil plano a deturpação da vida pessoal dos Reis, criando toda uma falsa aura de dados históricos supostamente “secretos” e escondidos a mando do próprio Rei, para dissimular possíveis “atos suspeitos”, como assassinatos, homossexualismo, etc. A propósito, o homossexualismo é sempre apontando para grandes personagens reais de linhagem hiperbórea pela “historiografia oficial”.
Quebrando-se o elo que permitia o transmutar coletivo do povo, todos os elementos estratégicos são assimilados numa super-estrutura cultural passível a adentrar o labirinto sinárquico. Podemos ver, como exemplo deste processo, as monarquias absolutistas que imperaram na Europa na Idade Moderna, governos sem qualquer referência transcendental, que, além de terem sido o primeiro passo para a negação do Arquétipo do Líder e seu posterior esquecimento (só voltando a surgir no século XX), foram a porta de entrada para o final corrompimento dos viryas no caos democrático e materialista dos tempos atuais da Kali Yuga.
Grandes Reis conseguiram a completa aplicação das Estratégias Hiperbóreas e a transmutação de seus respectivos povos em comunidades de Heróis. Otávio Augusto é um dos melhores exemplos do poder que possui a Função Régia Hiperbórea. Este guerreiro do Espírito transformou a República Romana no Império Romano, um molde perfeito do ideal do Império Universal, e com seu desenvolvimento, chegando ao nível da Pax Romana, isolou as estirpes hiperbóreas ao redor de sua aura carismática para posteriormente fulminar os povos inimigos de Roma oriundos da Judéia, Palestina, Síria e Egito, ao mesmo tempo que lutou contra a infiltração druídica da Europa da época. Criando a Guarda Pretoriana, sua Elite Espiritual, ele fomentou as bases para manutenção de toda estratégia, pois eram guerreiros iniciados nos mistérios de Jano e Apolo, que expressavam de forma perfeita todo a Ética Guerreira que os Deuses exigem àqueles de sua raça. Outro exemplo foi o Rei Carlos V, Imperador da Alemanha que lutou contra os sacerdotes da Igreja Católica que intentavam a constituição da Sinarquia religiosa através do poder que detinham os papas por toda a Europa já cristianizada, mas mesmo assim, ele consegue impor a Ética Hiperbórea acima dos ideais judaico-cristãos … muitos ainda poderiam ser citados.
Nos tempos atuais dessa batalha eterna, os Deuses não nos reservaram a Honra de ter a presença viva de um Rei de Sangue, mas o Carisma é uma energia atemporal, logo, ao virya que esteja engajado na estratégia dos Deuses Libertadores, bem se pode afirmar, com toda convicção, que ele permanece sobre a mística de todos os antigos Reis Hiperbóreos, desde o próprio Galhardo Senhor da Guerra, até o último Rei de Sangue da Raça Branca, e a eles se deve o Dever e a Honra de lutar.
Avitvs Avgvstvs - Legio • VI
Volvntas Invicta!
VVV












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