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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Ciência Moderna e Ateísmo

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“O homem não deveria brincar de Deus”

Esta frase esconde, num plano de significação mais oblíquo, um sentido que deveria ser analisado de forma mais clara. Ela é referente à moderna manipulação da Ciência pelo homem, suas “descobertas”, “invenções” e demais “maravilhas”, manipulação esta que, segundo o sentido cultural mais horizontal da frase, poderia causar problemas de grandes proporções para o homem que seria incapaz de controlá-los. Colocando-se em posição de I.H.P.C. (Iniciado Hiperbóreo em Presente Compreensivo) podemos encontrar um aspecto significativo na frase, o qual atesta a possibilidade do homem tornar-se um deus através da manipulação das leis da Ciência. Mas seria realmente possível a um cientista, ou à comunidade científica mundial chegar ao nível de uma divindade praticando a Ciência Moderna? Obviamente que não; contudo, esse valor de divindade passa a ser atribuído à própria Ciência, como forma de via real, única e verdadeira, em que o homem deve direcionar sua visão da realidade.

clip_image004Nota-se, com isso, não apenas a falsidade disfarçada da frase, mas, sobretudo, a falsidade que constitui a Ciência Moderna para o Espírito, constituindo-se numa grande ferramenta a favor do Pacto Cultural.

A Ciência Moderna não possui absolutamente nenhum ponto de contato com a Liberação Espiritual; nunca qualquer virya, mesmo no mais profundo sono, poderia minimamente, mesmo de longe, enxergar qualquer sinal da Origem, de sua divindade roubada, da Traição dos Siddhas e do Grande Engano, através do prisma científico moderno. Muito pelo contrário, a Ciência Moderna é, na verdade, um culto de origem shambálica, cuja devoção é ao aspecto inteligência de Jehová – Binah –, e cujo formato arquetípico equivale ao de uma verdadeira religião sinárquica, estratégia psicossocial, com seus sacerdotes, seus “crentes ateus”, suas promessas e seus símbolos sagrados emergentes de que a Ciência tudo explicará e acabará com as guerras, trazendo a paz tão almejada por todos; é a transformação, pelo Pacto Cultural, da busca de conhecimento num culto sacerdotal típico do Povo Eleito. Busca de conhecimento esta que é reflexo da busca de orientação do Eu perdido, que gera verdadeiro conhecimento, o qual foi proibido e demonizado na imagem clip_image006do fruto proibido da “Árvore do Conhecimento” e que é tratado no mito de Prometeu. Neste sentido, a Ciência Moderna é uma corrupção e uma subversão do conhecimento antigo de diversas civilizações milenares, e tudo que a Ciência atual tem de mais válido é apenas uma releitura desses conhecimentos primordiais.

O culto à Binah – a Ciência Moderna – é um meio bastante clip_image001eficaz de se dissolver do inconsciente coletivo a Memória de Sangue e a recordação da Origem, pois primeiro esse culto exige um plano de significação específico no qual os entes devam ser significados através de uma linguagem lógico-formal que encarne toda sua compreensão, toda sua verdade, como se a Ciência pudesse desvendar todo o ente, e a verdade dos entes e dos fenômenos pudesse ser explicada de forma total pela Ciência – daí surge o símbolo de que a Ciência poderá explicar absolutamente tudo (entretanto, neste ponto surge um primeiro aspecto falso, pois qualquer plano de significação com sua linguagem específica pode evidenciar apenas um dos inúmeros aspectos da verdade de um ente ou fenômeno). A segunda ação desse culto será o repúdio imediato a toda e qualquer linguagem e conceito que não se adapte à horizontalidade do próprio culto, ou seja, a Ciência ignora como inexistente e falso tudo aquilo que não possa ser numericamente medido e interpretado de forma lógico-formal. Com isso, não apenas o Demiurgo será repudiado e ignorado em seus aspectos mais “espirituais” – Amor, Beleza e Poder –, restando a devoção à Binah, mas também o Espírito Encadeado será ignorado, esquecido, obscurecido e finalmente dissolvido, levando consigo toda gama de personagens e fatos culturais que agiram a favor e contra o Espírito.

clip_image010Eis um meio eficaz de se obscurecer e dissolver a Memória de Sangue. Sem Traição, sem Guerra Espiritual, não haveria motivo para hostilidade essencial, pois, segundo as mais famosas teorias científicas modernas, neste planeta estamos desde o momento em que a massa de átomos primordial do Sistema Solar começou a se esfriar e a girar milagrosamente ao redor do núcleo gravitacional do Sol, e desde que as primeiras proteínas aprenderam a se reproduzir e deram origem à vida. O que é o Espírito senão uma idéia dentre outras decorrente de neurônios ativados por neurotransmissores específicos da área de fantasia do cérebro?


clip_image008Como dito mais acima, tudo aquilo que há de mais verdadeiro e duradouro na Ciência Moderna é fruto de uma releitura matematizada e, digamos, sistematizada, de conhecimentos encontrados em antigas civilizações tradicionais, alguns já presentes na Atlântida, outros derivados de sabedorias milenares sobre diferentes aspectos dos fenômenos e de leis do micro e macrocosmos, evidentemente esta é uma parte mínima de todo arcabouço científico moderno, na maioria das vezes, colocada em segundo plano, ou então evocada como “novas descobertas da ciência”. O pensamento científico moderno apenas insere tais elementos de forma “palatável” (lógico-formal) na horizontalidade da cultura moderna. Aliás, isso põe por terra a sacralidade do culto científico como ápice do conhecimento humano e forma mais pura e verdadeira de sabedoria, método último de análise de qualquer ente e realidade; pois – para horror daqueles que crêem nesse poder da Ciência, que se dizem “homens da ciência”, crentes desse culto – a cultura é a priori da Ciência. Esta é dependente daquela. Expliquemos.

A Ciência Moderna conforma-se sobre uma macrorregião da superestrutura cultural que a alimenta de conteúdos sêmicos – essa macrorregião é, mais precisamente, o mundo ocidental iluminista e racionalista (dentre outras possíveis designações)—logo, ela, a Ciência, depende dos signos já emitidos sobre os entes que os membros desse mundo ocidental inicialmente projetaram, o que resulta na cultura moderna, ou superestrutura cultural, ou seja, a existência prévia dessa superestrutura cultural vai determinar os caminhos e finalidades da Ciência. Com isso, qualquer lei ou teoria científica, qualquer descrição de fenômenos ou entes construída a partir do método racionalista científico, depende dessa prévia estruturação cultural da realidade, a qual determinará as premissas culturais preeminentes, que são os pontos de ancoramento (princípios e/ou relações) que determinarão os aspectos de um fenômeno que serão, necessariamente, mais evidenciados pela razão, em detrimento de outros.

É de acordo com essas premissas culturais que a razão, encarnada pelo método científico, toma conta do sujeito consciente, e recorta e delimita a realidade em aspectos limitados de fenômenos e entes, destacando tais aspectos e ignorando o restante, simplesmente “fingindo” que não existem aspectos que não se modelam à razão e que tais aspectos não podem ser explicados por linguagens mais oblíquas. Enfim, tudo que esteja fora da área recortada por determinada ciência – que em geral é aquilo que ela não tem capacidade de observar e de aplicar nexos em linguagem lógica – é descartado como aspecto inexistente, ou seja, a explicação científica nunca abarca a totalidade de um ente ou fenômeno na sua forma completa dentro do macrocosmo. As leis científicas descrevem meros aspectos predeterminados segundo as premissas culturais, sendo inativadas e destruídas quando aplicadas fora do recorte produzido por tais premissas.

Isto é válido para todos os campos nos quais se divide a Ciência Moderna: ciências da natureza, ciências sociais, etc.

É preciso evidenciar que dentro do recorte específico de cada área de determinada ciência – os aspectos escolhidos pela razão – suas leis podem muito bem ser válidas, e funcionarem sobre determinado sentido, pois a linguagem lógico-formal assim o assegura, entretanto, como são sempre descrições de aspectos limitados, também darão resultados limitados, necessitando daquilo que é chamado de método das perturbações, que é a construção de ferramentas aproximativas, para se aproximarem do ente ou fenômeno em si. Um exemplo desse método podemos encontrar no cálculo do efeito gravitacional do Sol sobre órbita da Terra; é obvio que não apenas o Sol exerce influência gravitacional sobre a Terra, existindo influências de todos os demais planetas, da Lua, de qualquer meteoro ou de cometa que passe por perto, ou de qualquer aglomerado estelar distante, mas, através da teoria das perturbações, tais influências gravitacionais são desconsideradas e é feita uma aproximação como se apenas a massa do Sol de fato existisse para causar atração. Os cálculos sobre essa questão, portanto, apenas levam em consideração a massa solar, desprezando as demais perturbações gravitacionais de outros corpos celestes; na verdade, a distorção chega a um ponto de que se forem inseridos pelo menos mais dois corpos dentro dessas equações, toda teoria torna-se praticamente insolúvel. A maioria dos demais campos científicos possuem seus mecanismos aproximativos equivalentes.

Com isso em evidência, torna-se notável como, a partir de certo ponto, as leis científicas não tratam mais de qualquer verdade, constituindo-se em meros conceitos de conceitos, chegando ao ponto de construir verdadeiras irrealidades, como o plano inclinado sem atrito, sociedade sem diferenças, níveis abaixo da distância de Planck, mercado com economia autoreguladora, etc., coisas que deveriam ser inaceitáveis para quem se supõe não tratar delas.

clip_image012Citemos um exemplo do que foi argumentado até agora: a Teoria do Big-Bang. Como toda boa teoria científica, os físicos delimitaram o “espaço” no qual essa teoria deve ser aplicada, que é desde o “começo do universo” até os dias atuais; mas fora desse limite o Big-Bang simplesmente não diz nada, simplesmente descarta da existência; nesta teoria que se propõe ser a explicação da origem do cosmos ficariam fora de seu limite toda uma infinitude de possibilidades existenciais que estariam antes do “ovo cósmico”, entre elas tudo que nos remeta à Origem do Espírito. Obviamente este é o recorte máximo que a física moderna faz. Outro exemplo é a Relatividade, cujo recorte se limita a seres que viajam a velocidades próximas a da luz. Na psicanálise, onde vemos a razão do Doutor Freud reduzindo toda psique humana aos aspectos sexuais por ele escolhidos como aspectos preeminentes. Na famigerada Teoria da Evolução de Darwin, cujo sentido sinárquico e antiespiritual é bastante significativo, afirmando que o pasú é o único ser que originou o virya, sendo este puro descendente animal do primeiro; afirmando ainda que os demais seres vivos surgiram a partir da evolução de outros, quando mesmo nos dias atuais absolutamente nenhum sinal de espécie intermediária entre dois níveis evolutivos foi encontrada, ou seja, nenhuma prova há que confirme a plausibilidade da idéia Darwinista. Dentre inúmeros exemplos que poderíamos citar.

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Neste ponto, todavia, é preciso salientar que existe uma enorme diferença entre os avanços tecnológicos e a Ciência. As descobertas de novos materiais, de novas formas de instrumentos e ferramentas eletrônicas, de objetos tecnológicos computadorizados, máquinas manipuladas à distância, a utilização de nanotecnologia, de toda uma gama de equipamentos que fazem coisas cada vez mais rápidas e perfeitas, tudo isso considerado como avanço tecnológico moderno, apesar de chamados de “maravilhas da Ciência”, são, na verdade, pertencentes a uma ordem diferente de fenômenos. Tais avanços tecnológicos constituem-se na progressão dos arquétipos universais em direção a suas respectivas enteléquias, em direção à perfeição do arquétipo. A Ciência apenas corre atrás desse avanço, em poucos momentos entrando em sincronia direta com esse processo, e desses pontos de contato extraindo toda sua autoridade e “fama”. Todos os arquétipos já estão determinados no Mundo Arquetípico pelo Demiurgo, o virya age no sentido de atualizá-los no Mundo Material, para posterior signação do arquétipo, já sob a forma de ente, pela comunidade, criando cultura, transformando-o em objeto cultural, só a partir daí é que a Ciência vai elaborar uma linguagem lógico-formal sobre ele. A Tecnologia, então, precede a Ciência (“primeiro o homem controlou e dominou o fogo, só depois surge a explicação do que é realmente o fogo”).


clip_image016Quando o sujeito consciente deixa-se fagocitar por um direcionamento à esfera racional, a razão passa a ser preeminente na observação da realidade, o sujeito não apenas usará a razão para observações científicas, mas toda a realidade será vista através do prisma racional; este é o efeito cientificista do culto shambálico, que determina a formação de toda uma gama de viryas dormidos que serão mais fagocitados do que outros, os mais presos nesta armadilha, em geral, são chamados de ateus e originam o Ateísmo como arquétipo psíquico. São eles os maiores “crentes” desse culto, aqueles onde a razão mais nubla o Espírito.

Sabemos muito bem que o meio que os arquétipos têm de resolver suas antíteses dialéticas é através da guerra. Não por acaso vemos a contenda secular entre ateísmo e religiões, entre fé e ciência, mobilizando batalhões de viryas dormidos para que despejem suas Vontades na defesa desse ou doutro ponto dialético da ciência ou da fé, quando, na verdade, os dois são ilusões e labirintos que obscurecem a Verdade do Espírito. É uma guerra falsa, travada no nível da alma, com sua essência gregária e nunca total, sempre limitada até outro arquétipo tomar preeminência.

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Avitvs Avgvstvs
Ave Legio VI - Volvntas Invicta

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