Parte I
Filosofia (do grego Φιλοσοφία: philos - que ama + sophia - sabedoria, « que ama a sabedoria ») é a investigação crítica e racional dos princípios fundamentais relacionados ao mundo e ao homem.
Partir da filologia da palavra filosofia, já tem por si mesmo, a importância da filosofia como sentido de vida. A sabedoria é fruto do ser, de quem busca uma razão para sua existência. É aquele que se coloca a frente da matéria e diz: EU SOU. A partir daí temos um ser pensante, aquele que pensa e tem consciência de si mesmo. Todos somos filósofos partindo desse pressuposto, não se trata de uma mera diferenciação funcional entre sujeito-objeto ao molde descartiano, pois trata-se de algo mais profundo, a antítese essencial da hostilidade Espírito-matéria segundo a tradição hiperbórea.
Contudo há de advertir que nos tempos modernos, onde o bem material é a fonte de “sabedoria e poder”, sabemos que a filosofia esta sendo abstraída por “doutrinas” de cunho acadêmico e social. Criando uma falsa sensação do saber, de pensar e formar “acadêmicos”. Nossas “academias” de hoje, não ensinam a arte da filosofia, seja no âmbito matemático ou cientifico, sequer no setor metafisico. Criando assim uma sociedade de “tecnocratas” profissionais a serviço do mercado de trabalho, e não do LIVRE PENSAR, ou seja, da FILOSOFIA.
Por isso que, o MITO, sempre foi importante à formação da compreensão humana, de sua existência como um todo, e absolutamente, para compreender a si mesmo. “Conhece a ti mesmo, e conhecerá o universo inteiro” já dizia o lema da SS e de antigos pensadores, pois esta é a base do conhecimento filosófico. Porém, crescentemente desde a penetração do Cristianismo semita na Europa e culminando nos tempos modernos, vemos a racionalização do mito, como sendo meras histórias, lendas e aventuras de heróis contra monstros e bestas, mas não como um simbolismo de conceitos esotéricos e arquetípicos para compreender a nossa psique. Ai reside o erro conceitual moderno: o racionalismo, que leva a uma literalidade horizontal.
O mito em si, não pode ser compreendido como algo literal, de começo meio e fim, mas sim, como uma gama de símbolos e arquétipos que cada qual tem seu significado latente dentro de um contexto significativo oblíquo. O mito, é portanto, a base da compreensão do nosso inconsciente, do nosso ser-em-si com base em nossas percepções analógicas ao sentir.
Assim, podemos concluir que esta sociedade é decadente, carente de heróis e líderes, ausentes de consciência política e social e sem a consciência filosófica da busca pelo conhecimento. A ética existente é meramente psicológica e racional, isto levará a destruição total da humanidade, desde o seu ser, até o seu corpo físico. Quem pensa, vive, quem não pensa apenas existe.
A natureza existencial do homem, em diferença aos outros animais, contém em si a possibilidade de direcionar para si mesmo as faculdades reflexivas de sua consciência. Isso significa que o autoconhecimento, e a reflexão sobre si mesmo, constituem modos essenciais de uma autêntica existência do homem como tal. Ademais da busca constante pelo autoconhecimento constituir o próprio exercício da humanidade, o caminho do autoconhecimento abre amplas possibilidades existenciais, na medida em que o conhecimento de si mesmo, das próprias capacidades e limitações, concede ao homem a oportunidade não apenas de atuar efetivamente na realidade, mas principalmente de dominar a si mesmo, alcançando assim o ideal clássico da Autarkeia, ou seja, Liberdade, por meio da GNOSE.
O que é passar da atitude ingênua do senso comum à atitude filosófica?
Para respondermos esta pergunta, primeiro devemos observar os fenômenos que ocorrem no nosso meio, seja no macro ou micro-cosmo. Deste modo, o observador, deve ser dotado de um senso de percepção noológica intuitiva e racional, ou seja, através do “sangue” (signo da origem) e da “serpente” (logos).
Para passar da atitude ingênua do senso comum, diante do marco do conhecimento filosófico e do saber, é necessário ser dotado de senso critico. Não basta apenas ver os entes sob a ótica coletiva e aparente, baseando-se em dogmas, cultura, fé ou crença. Deve-se ter além do senso crítico, uma semântica noológica, um saber interior, para compreender as relações de sentido nas quais está inserido o ente, ou objeto cultural estudado (finalidade, suprafinalidade). Desta forma poderemos estudar todos os fenômenos inerentes ao ente, sua multiplicidade de variações ante os fenômenos e não ter apenas uma perspectiva causal, de causa e consequência, e sim, do seu vir-a-ser (desígnio, enteléquia). Um bom pensador, em sua pesquisa, apreende todos os fenômenos de diversos ângulos e dimensões, ou seja, em múltiplos planos de significação, elaborando posteriormente um contexto de significação para uma linguagem habitual que seja inteligível aos demais, trabalho de um “construtor de pontes”; usando da parte cognoscitiva do cérebro e a própria cultura, signos e linguagem como arma estratégica. Assim não se prendendo apenas às regras comuns, buscando o aperfeiçoamento científico dos estudos dos entes da matéria, como os gregos e antigos sempre fizeram, através da filosofia, metafísica, gnose, ou seja, uma ciência hiperbórea.
Tal ciência de nada tem a ver com a moderna, limitada apenas a um conjunto de regras e conceitos dentro de uma linguagem habitual única, pré-determinada. O fenômeno apenas é analisado diante de uma única perspectiva e observação, baseando-se em premissas culturais. Um ente em si, não existe apenas diante de uma conformação de instante, ele se comporta de formas variadas, pré-determinadas de acordo com o que foi descoberto e dotado sentido a ele, em um marco de uma cultura local. A universalidade dos conceitos e idéias doadas aos entes da matéria leva a humanidade para um colapso ético e moral, para um abismo que torna o homem como um mero instrumento limitado ao já estabelecido: uma ferramenta.
Infelizmente, nos tempos modernos, tal busca é limitada apenas ao âmbito do sensivelmente perceptível e do quantificável, e às regras já elaboradas anteriormente por OUTROS pesquisadores e pensadores, e, portanto, limitado a regras já pré-determinadas. Portanto, pseudocientistas elaboram teorias e teses que nada revelam sobre a essência dos entes, apenas quantificando relações entre os mesmos, razão pela qual até hoje nossas tecnologias se vêem limitadas a essas leis normativas, tanto físicas, matemáticas, químicas e ou morais e éticas.
A diferença entre a relação do homem com os entes, e o meio em que se vive, era muito mais analisada e observada diante de uma semântica, do que é hoje pelos “pensadores” modernos nas civilizações mais antigas como a grega e a romana. Estes procuravam de fato uma ciência da qual o homem estivesse inserido de forma que não fosse apenas um instrumento de ação causal, mas sim, interferisse diretamente no mesmo, de forma que o homem fosse inspirado por conceitos e valores éticos, influenciados diretamente pela vontade de poténcia, ou seja, o semi-divino ou ideal de deus e herói.
No entanto, para compreender qual atitude ante uma ciência hiperbórea, devemos nos aprofundar no conceito de Ética e Moral, sua formação e origem ou como Nietzsche retratou bem, uma Etimologia completa. Iremos discorrer mais sobre tais conceitos.
Onde surgiu o conceito de ética?
Por vezes, o conceito de Ética é confundido com o conceito de moral. É necessária, portanto, uma abordagem na diferenciação de ambos, uma vez que possuem significados idênticos e origens distintas, conforme relata Passos (2004) em seus estudos sobre Ética nas organizações:
Moral vem do latim mores, que quer dizer costume, conduta, modo de agir; enquanto ética vem do grego ethos, e do mesmo modo, quer dizer costume, modo de agir. Essa identidade existente entre elas marca a tendência de serem tratadas como a mesma coisa. Contudo, alguns autores, entre eles Sanches Vasquez admitem que, apesar do estreito vínculo que as une, elas são diferentes. Constituem-se em realidades afins, porém diversas. (PASSOS, 2004, p. 22).
Na visão de Srour (2000), Ética e Moral são:
[...] o que vem a ser a moral? Um conjunto de valores e de regras de comportamento, um código de conduta que coletividades adotam, quer sejam uma nação, uma categoria social, uma comunidade religiosa ou uma organização. Enquanto Ética diz respeito à disciplina teórica, ao estudo sistemático, a moral corresponde às representações imaginárias que dizem aos agentes sociais o que se espera deles, quais comportamentos são benvindos e quais não. Em resumo, as pautas de ação ensinam o ‘bem fazer’ ou o ‘fazer virtuoso’, a melhor maneira de agir coletivamente; qualificam o bem e o mal, o permitido e o proibido, o certo e o errado, a virtude e o vício. (SROUR, 2000, p. 29)
Para enriquecer os conceitos de Ética e Moral, segue mais uma citação do teólogo e escritor Boff (2003):
A Ética é a parte da filosofia. Considera concepções de fundo acerca da vida, do universo, do ser humano e de seu destino, estatui princípios e valores que orientam pessoas e sociedades. Uma pessoa é ética quando se orienta por princípios e convicções. Dizemos, então, que tem caráter e boa índole.
A moral é parte da vida concreta. Trata da prática real das pessoas que se expressam por costumes, hábitos e valores culturalmente estabelecidos. Uma pessoa é moral quando age em conformidade com os costumes e valores consagrados. Estes podem, eventualmente, ser questionados pela ética. Uma pessoa pode ser moral (segue os costumes até por conveniência) mas não necessariamente ética (obedece a convicções e princípios). (BOFF, 2003, p. 37).
A reflexão sobre a Ética tem sua origem na Grécia antiga com o Sócrates (470-399 a.C.), Platão (427- 347 a.C.) e Aristóteles (384-322 a.C.).
Platão foi discípulo de Sócrates e, também, mestre de Aristóteles. Escrevia em forma de diálogos que estão destacados em três fases: diálogos da juventude, diálogos da maturidade e diálogos da velhice. Ele se refere ao mundo ideal, no qual comportar-se eticamente é agir de acordo com o logos, ou melhor, com retidão de consciência. Baseava-se na idéia de que este mundo não é o verdadeiro mundo, por isso as coisas não são como deveriam ser (ARRUDA, WHITAKER, RAMOS, 2001).
Leonardo Boff, em sua obra ética e moral, a busca dos fundamentos define ética e moral da seguinte forma:
A ética é parte da filosofia. Considera concepções de fundo acerca da vida, do universo, do ser humano e de seu destino, institui princípios e valores que orientam pessoas e sociedade. Uma pessoa é ética quando se orienta por princípios e convicções. Dizemos então, que tem caráter e boa índole.
A moral é parte da vida concreta. Trata de prática real das pessoas que se expressam por costumes, hábitos e valores culturalmente estabelecidos. Uma pessoa é moral quando age em conformidade com os costumes e valores consagrados. Estes podem, eventualmente, ser questionados pela ética. Uma pessoa poder ser moral (segue os costumes até por conveniência) mas não necessariamente ética (obedece a convicção e princípios). (BOFF, 2003, p.37)
Ética é, acima da moral, uma postura diante do mundo, é uma expressão de uma cosmovisão, segundo a tradição hiperbórea, uma visão da decadência que é o mundo material com seus desejos animalescos e sentimentos inferiores.
Na vida diária são os valores morais que orientam o comportamento humano. Eles são frutos da educação familiar, escolar e da herança cultural da comunidade. Se os valores morais são próprios de uma comunidade e como as comunidades são distintas, cultivam valores distintos, portanto os valores são relativos. Muitos valores são importantes para uma determinada comunidade para outras não o são. Estes valores fazem parte da nossa vida intersubjetiva. Os valores morais são ligados a crenças pessoais sobre comportamentos eticamente corretos ou incorretos em relação ao indivíduo ou em relação à comunidade. Eles são as atribuições de sentido moral aos entes externos, que são confirmados coletivamente pela comunidade, tornando-se parte da cultura.
É impossível analisar o agir humano sem analisarmos os valores. Os valores são abstratos, não se vêem, mas se lhes sente a presença e a força. Para entender o que venha a ser um valor, o autor Ivo Gelain apresenta algumas expressões que, embora não os definam, permitem que deles tenhamos uma idéia.
Fundamentos motores do agir humano: os valores dão a dinâmica do agir: o homem que perde os valores perde a razão de seus atos e sente perder o sentido da vida; Aspiração básica do ser humano: estas aspirações relacionam-se com a realização das potencialidades originárias do homem; Referências comparativas: optar por um ato, ao invés do outro, significa percepção de maior valor ou maior interesse num do que no outro; Algo pelo qual vale a pena viver, lutar e até morrer: ao se perder os valores perde-se o interesse por aquele ato ou por aquela seqüência de atitude; A priori do emocional: em determinadas atitudes, quando realizada sob a dinâmica dos valores, o emocional é suplantado pelo valor. Assim, a saudade, o amor, a tristeza e outros ficam em segundo plano quando existem valores impulsionando o agir. (GELAIN, 1987, p.13-14)
O conhecimento, para Sócrates, reside no próprio interior do homem. Conhecendo-se a si mesmo, pode-se conhecer melhor o mundo (Maiêutica). Esse entendimento é fruto da intuição que os gregos tinham da lei hermética segundo a qual o Microcosmos é um reflexo do Macrocosmos, havendo uma analogia entre ambos. Assim, o conhecimento do primeiro, coloca automaticamente à disposição o conhecimento do segundo.
Assim, o ensinamento ético de Sócrates reside no conhecimento e na felicidade. Para saber julgar acerca do que é o bem e ou o mal, é necessário o autoconhecimento (gnose). O autoconhecimento significa sabedoria e discernimento, esta é uma ética sólida. O domínio efetivo das paixões, dos desejos são fundamentais para o cultivo da verdadeira virtude e a felicidade. O saber é o que conduz o homem à felicidade. A Ética noológica é impossível se ao longo do processo de individuação, o Eu não for capaz de manter o Sujeito Anímico, sede das paixões e desejos animais, subjugado.
Platão desenvolveu o racionalismo ético valorizando o mundo ideal, ou o mundo das idéias. Neste sentido para Platão há uma realidade Divina, além da realidade humana. Esta realidade Divina estabelece a existência de uma justiça divina, deferente da justiça aplicada pelos homens. No mundo dos governos, há uma justiça ineficaz, relativa e contraditória, diferente da justiça Divina. O homem dever buscar a virtude a excelência, desenvolver a capacidade de aprimoramento ou a perfeição da vida. O ser humano deve identificar-se pelo que há de melhor e mais excelente, e nesse sentido deve buscar inspiração nas faculdades que caracterizam os deuses; os mais excelentes dos seres.
Para Aristóteles, a Ética é a ciência de praticar o bem. O bem de cada coisa está definido em sua natureza: esse bem é um objetivo a atingir. No realismo aristotélico, toda ação livre tem como finalidade um bem. O bem é o objeto de nossas aspirações. A felicidade seria o bem supremo do homem. Esta consiste na atividade do espírito de acordo com a virtude. E qual seria este “bem”? Segundo as palavras de Nietzsche:
— Olhemo-nos face a face. Somos hiperbóreos(1) — sabemos muito bem quão remota é nossa morada. “Nem por terra nem por mar encontrarás o caminho aos hiperbóreos”: mesmo Píndaro, em seus dias, sabia tanto sobre nós. Além do Norte, além do gelo, além da morte — nossa vida, nossa felicidade… Nós descobrimos essa felicidade; nós conhecemos o caminho; retiramos essa sabedoria dos milhares de anos no labirinto. Quem mais a descobriu? — O homem moderno? — “Eu não conheço nem a saída nem a entrada; sou tudo aquilo que não sabe nem sair nem entrar” — assim suspira o homem moderno… Esse é o tipo de modernidade que nos adoeceu — a paz indolente, o compromisso covarde, toda a virtuosa sujidade do moderno Sim e Não. Essa tolerância e largeur(2) de coração que tudo “perdoa” porque tudo “compreende” é um siroco(3) para nós. Antes viver no meio do gelo que entre virtudes modernas e outros ventos do sul!… Fomos bastante corajosos; não poupamos a nós mesmos nem os outros; mas levamos um longo tempo para descobrir aonde direcionar nossa coragem. Tornamo-nos tristes; nos chamaram de fatalistas. Nosso destino — ele era a plenitude, a tensão, o acumular de forças. Tínhamos sede de relâmpagos e grandes feitos; mantivemo-nos o mais longe possível da felicidade dos fracos, da “resignação”… Nosso ar era tempestuoso; nossa própria natureza tornou-se sombria — pois ainda não havíamos encontrado o caminho. A fórmula de nossa felicidade: um Sim, um Não, uma linha reta, uma meta…(NIETZSCHE,1888, p. 38).
E ainda continua Nietzsche (1888) sobre o “bem” e a “felicidade” ética hiperbórea:
O que é bom? — Tudo que aumenta, no homem, a sensação de poder, a vontade de poder, o próprio poder.
O que é mau? — Tudo que se origina da fraqueza.
O que é felicidade? — A sensação de que o poder aumenta — de que uma resistência foi superada.
Não o contentamento, mas mais poder; não a paz a qualquer custo, mas a guerra; não a virtude, mas a eficiência (virtude no sentido da Renascença, virtu(1), virtude desvinculada de moralismos).
Os fracos e os malogrados devem perecer: primeiro princípio de nossa caridade. E realmente deve-se ajudá-los nisso.
O que é mais nocivo que qualquer vício? — A compaixão posta em prática em nome dos malogrados e dos fracos — o cristianismo…
“Vir”, em latim, significa “varão”, “homem”. Ou seja, “virtu”, neste “sentido da Renascença”, designa qualidades viris como força, bravura, vigor, coragem, e não humildade, compaixão etc. (N. do T.).
A Idade Média foi caracterizada pelo Renascimento, período vivido por Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino, onde ambos roubaram conceitos de Platão, Sócrates e Aristóteles, num momento de obscurantismo, a fim de atribuir o conceito de ideal humano, ético e moral à imagem de Deus e não dos deuses antigos, tomando assim uma mudança na deontologia e moral da época conforme relata Passos (2004):
A situação política e social era mais complexa, de modo que não se podia pretender a mesma harmonia da polis grega. Também por questões ideológicas, houve o predomínio da teoria sobre a prática. O Cristianismo tornou-se a religião oficial e influenciou tudo, inclusive a prática moral.
Nesse novo contexto, o conteúdo moral modificou-se, entrando em cena a autonegação e humildade e a disposição para obedecer, uma vez que os seres humanos eram considerados como imagem e a semelhança de Deus. O que os unificava era a autoridade de Deus, identificada como a origem e o fundamento da lei moral. ´[...]. A ética cristã estabelece a relação entre Deus e o homem, baseando-se em verdades reveladas. Nela, Deus é colocado como origem e fim de tudo, inclusive das ações humanas. Assim, resta ao ser humano seguir as leis divinas, submeter-se a Ele. (PASSOS, 2004, p. 37).
A inversão do SER para o TER
A raiz do problema se encontra justamente na inversão do sentido do homem, passou-se do “ser” para o “ter”, assim o homem é considerado por aquilo que tem e não pelo que é. Valoriza-se "a conquista e o domínio desse mundo pelo dinheiro e pelo poder material, pela ciência e pela tecnologia” do que a assimilação pessoal e à vivência honrosa dos valores que dão sentido a vida humana, como a Vontade, o Valor, a Honra, a Justiça e a Virtude. Desse modo, a ética sofre uma derrota brutal perante o caráter econômico, a ética perdeu (espaço) para a economia. O homo faber, o homo economicus, prevaleceu sobre o homo sapiens.
Contudo, a própria economia caminha por veredas tortuosas. Assim, mesmo esta economia de mercado material e semita, jamais deixará também de ser meramente humana.
O desenvolvimento do modelo de produção capitalista, que nos seus primórdios se voltou para o enriquecimento próprio, o progresso e o desenvolvimento da técnica, do capital financeiro, modificando-se com o decorrer do tempo e estabelecendo-se de modo migratório transitando historicamente da produção para o consumo, pois o crescimento do mercado e a satisfação dos produtos foram levando-o a reconhecer que não basta produzir mais, mas é preciso produzir melhor para satisfazer os consumidores e conseguir vender, tal a importância que se dá hoje à “qualidade de vida".
Isso implica necessariamente na suplantação da qualidade diante da quantidade, configurando-se como um dos principais conceitos da economia contemporânea. Isso significa precisamente que no conjunto de propriedades e características de um produto ou serviço, que o torna apto a satisfazer necessidades expressas ou implícitas dos eventuais consumidores. Deste modo, referir-se a qualidade implica em recorrer a uma “nova ética” porque esta confere a referida qualidade ao ser e a vida, atendendo a demanda deste consumidor e seus “alentos”. Onde que justamente entra a publicidade, a propaganda, o marketing e a falsa sensação de suprir as necessidades básicas do ser humano, propondo a felicidade e o prazer acima de tudo, centralizando no objeto ou ente a ser adquirido este vir-a-ser.
Revendo o conceito de qualidade.
Seguindo o raciocínio dos filósofos antigos, os conceitos são siana ad placitum, ou seja, empregam-se para designar aspectos inteligíveis da realidade sendo consenso a condição fundamental para examinar e dialogar de modo profundo em nossa humanidade.
A pergunta que precisamos considerar é qual o aspecto da realidade que é designado pelo conceito de qualidade? Contudo, se pensarmos desse modo não alcançaremos uma resposta única, porque os conceitos não são atemporais, ou seja, eles variam conforme o contexto histórico, ou a forma em que são tomados da experiência varia muito.
Por isso é importante distinguir o contexto em que se foi tomado de realidade pelos gregos e outros filósofos, acerca da qualidade, ética, valores, e diversos conceitos. O conceito de qualidade, portanto, é muito antigo. Assim, a linguagem possui uma carga maior é mais pesada do que as idéias. As idéias variam conforme a cultura e as questões postas, mas as palavras permanecem por simples força inercial. Podem as linguagens estar num contexto tanto de significação horizontal, como obliqua, e para a tradução em uma linguagem HABITUAL é necessário que seja trazida para um contexto de significação horizontal.
A qualidade do sujeito.
Podemos distinguir o conceito de qualidade do ponto de vista histórico:
Na perspectiva Grega qualidade designou um aspecto inteligível que caracteriza determinado ser em si mesmo que o torna tal, dizia Aristóteles. Usando como referencia os analíticos, Aristóteles situa a qualidade entre os atributos que se dizem do próprio sujeito, distinguindo-se da substância da relação. Assim, a qualidade é pois aqui um conceito que designa o que caracteriza determinado sujeito, dá conta de qual é ou como é em si mesmo sob determinado prisma do sujeito consciente e também cultural.
O filósofo Grego de Estagira foi muito a fundo clarificando os diferentes modos de se dizer o ser. Desta maneira, o sujeito pode ser dito através das "habilidades que possui", a maneira com a qual exerce sua atividade de humano, a liberdade, o modo que administra sua atividade e sexualidade, isso fora denominado posteriormente de "virtude". Portanto temos claro que a ética noológica, focada no estudo do SER, do espirito, é muito diferente do conceito atual de ética psicológica, focada na necessidade de imitar a realidade ou dar sentido a uma linguagem, que foi traduzida pela analise do sujeito racional em uma linguagem horizontal. Isso chegou de forma abrupta, determinando os conceitos de qualidade, virtude, bem e mal, a ética em si, com o iluminismo racionalista. Pois a análise do ser, da ética noológica, não é mais ao microcosmo, e sim agora, ao macrocosmo em analisar a realidade. Hegel afirma que a “razão é que determina a realidade e a realidade é o que determina a razão”.
Modernidade e a ética
A modernidade afasta a idéia (medieval e renascentista) de um universo regido por forças espirituais secretas que precisariam ser decifradas para que com elas entremos em comunhão (cristianismo medievo). O mundo se desencanta, e passa a ser governado por leis naturais racionais e impessoais que permitirão aos homens o domínio da técnica sobre a Natureza. A realidade passa a existir sob o modo da representação (isto é, pelo modo como é apreciada intelectualmente pelas operações do sujeito do conhecimento) e o saber se preocupa cada vez menos em dizer o que as coisas são e cada vez mais em conhecer como operam e funcionam. Pouco a pouco vai sendo cavada a diferença entre Homem e Natureza – no século XVIII, diferenciam-se Natureza e Civilização; no século XIX, diferenciam-se Natureza e Cultura, Natureza e História. A liberdade desaparece da Natureza e vem alojar-se no campo humano da civilização, da cultura e da história, campo da ação racional orientada por fins e valores. Pouco a pouco, a ética vai deixando de ser a conformidade com a Natureza para tornar-se, sobretudo com Kant, o abandono da Natureza e mesmo oposição a ela.
A concepção mais expressiva do período moderno a respeito da natureza humana é a de uma natureza racional, que encontra em Kant a sua formulação mais bem-acabada.
Em seus textos “Crítica da razão prática” e “Fundamentação da metafísica dos costumes”, Kant aponta a razão humana capaz de elaborar normas universais, uma vez que a razão é um predicado universal dos homens. As normas morais têm, portanto, a sua origem na razão.
Neste sentido a ética kantiana é formal porque ela postula o dever como norma universal, sem se preocupar com a condição individual na qual cada um se encontra diante deste dever. Kant dá a forma de uma ação moralmente correta, mas nada diz a respeito do seu conteúdo. Em outras palavras, ele nos dá uma forma de como devemos agir em cada situação concreta, apenas dá a forma geral das ações através do imperativo categórico. Para Kant o imperativo categórico é agir na conformidade com princípios que desejo que sejam aplicados para todos.
Kant defende a razão humana como uma fonte legisladora com capacidade de elaborar normas universais. Portanto, as normas morais têm a sua origem na razão e todas as atitudes práticas devem me orientar para que estes princípios se tornem universais e que possam ser também os princípios de qualquer ser humano.
Eduardo Bittar e Guilherme de Almeida (2006, p. 271) resumem o imperativo categórico kantiano da seguinte forma: “o imperativo categórico é, pois, único, e é como segue: age só, segundo uma máxima tal, que possas querer ao mesmo tempo que se torne lei universal”.
A Liberdade para Kant seria agirmos de acordo com as leis morais universais. Uma liberdade voltada somente para a minha individualidade, para a minha liberdade individual torna-se vazia e egoísta, pois só incluiria a minha vontade e não poderia ser estendida a todos os outros sujeitos ou como uma noção universal. Desconstruindo assim a ideia de liberdade individual, dotando de egoísmo ou inserindo-se em um outro contexto de linguagem, uma ideia e conceito fora do seu significado original, levando a universalidade da ética e moral.
Dizemos que a ética kantiana é formal porque ela postula o dever como norma universal, sem se preocupar com a condição individual na qual cada um se encontra diante deste dever. Em outras palavras, Kant nos dá a forma da ação moralmente correta, mas não diz nada acerca do seu conteúdo. Ele não nos diz o que devemos fazer em cada situação concreta, apenas dá a forma geral das ações através do imperativo categórico.
Já para Hegel, ao afirmar que o “que é racional é real e o que é real é racional”, não quer dizer que tudo o que é real é racional. Dito de outra forma, nem tudo o que é real é racional, tendo-se em vista aquilo que pode ser identificado como o caos, como o desordenado, pois nisso não há razão. Dizer que o real é racional não é o mesmo que dizer que todo o real é racional. O que Hegel pretende fazer entender é que a razão ordena o real, de modo a que este real se faça racional. O sentido de organização, de ordenado, de idealizado decorre exatamente da intervenção do homem como ser racional sobre a realidade.
O que Hegel quer nesta afirmação é que o real só é real porque é objeto de conhecimento de um sujeito, depois de identificado e conhecido se torna racional. É neste sentido a ética aprende com a história e com as relações individuais e sociais. Isto é importante nas decisões morais.
Neste contexto, você considera possível definir a realidade pelos parâmetros da racionalidade? Adotando-se uma ética psicológica e racional?
Com Karl Heinrich Marx (1818-1883) há uma grande mudança na visão ética da filosofia, na política e na economia. Para Marx as idéias, os pensamentos não devem ser analisados como mero produto da mente humana ou como um pensamento puro anterior às experiências. O pensamento humano é determinado pelas condições histórico-político-sociais e estabeleceria com elas uma relação dinâmica. O pensamento só tem sentido se for relacionado com a realidade concreta, ou seja, com a suprafinalidade do ente no ser-em-si e seu desígnio.
Neste aspecto Gilberto Cotrin (2005, p.279) elabora uma síntese do pensamento marxista mostrando que o homem é um ser essencialmente social:
Já para Marx o homem não é nem uma essência nem um “recipiente” no qual o espírito se manifesta, mas um indivíduo que se forma e se constitui no interior das relações sociais nas quais vive. Em suas palavras, “o indivíduo é o ser social. Com essa formulação, Marx quer enfatizar o indivíduo humano como essencialmente social.
Esta análise real da história foi chamada pelo seu companheiro de estudo Friedrich Engels de materialismo histórico. A visão materialista histórica consiste em pensar o homem como um ser concreto e inserido na sociedade e não pode ser pensado de uma forma abstrata como Hegel e nem de uma forma isolada como Feuerbach, Kierkegaard e Schopenhauer.
Segundo Marx a sociedade capitalista está dividia em classes sociais onde uma minoria detém as riquezas, ditam as regras para a maioria que é a classe trabalhadora. Este sistema transforma um ser humano um objeto de uso para ser explorado, manipulado, coisificado, alienado, submetido a distorções. Estas desigualdades são fruto das sociedades industriais modernas em que o operário detém a força de trabalho e em troca recebe um salário para que sobreviva alienado. É o processo da mais-valia, o proletário é um instrumento importante para a geração de lucros e em troco não recebe um valor digno pelo que produziu.
No entanto, ele instiga a luta de classes, coisificando a problemática em algo meramente material e em busca de um conforto material e físico. Deste modo a ética marxista consiste no racional, na realidade e seu ambiente, onde que o que você TEM, determina o que você É, assim sendo feliz, justo ou injusto dentro destes conceitos de classes sociais. O ser humano não pode ser feliz estando em uma classe social desfavorecida financeiramente no mercado, incitando assim a destruição da outra classe dominante para então ocupar o seu lugar ou nivelar ambos, minando assim qualquer outra via de solução ética e valorosa.
Marx chama de mais-valia o lucro que o dono do capital tira através da exploração da classe trabalhadora no processo de produção de mercadorias e em troca receber um salário. Seria uma espécie de trabalho gratuito característico de alguns povos escravagistas onde os escravos entregavam aos seus senhores. É uma forma disfarçada, porém considerada legítima de transferência de riquezas para a classe dominante. A mais-valia nos dias de hoje gera lucros para as instituições financeiras e para os donos de propriedades e indústrias. É a mais-valia que caracteriza a divisão de classes sociais no sistema capitalista segundo Marx e os comunistas, marxistas e socialistas.
As pessoas no sistema capitalista são tratadas como mercadorias ambulantes. Trabalham para produzir riquezas para as classes dominantes. Só para se ter uma idéia, a folha de pagamento é considerada despesa, e não se valoriza o que o funcionário produz na empresa.
Você já refletiu como os conceitos de alienação e mais-valia se fazem presentes em sua vida?
De que realmente não existe outra saída além da proposta por Marx, na luta de classes?
Será que isso é verdadeiro? Marx a única saída?
A felicidade vem na destruição de outra classe mais favorecida materialmente ou na busca do SER e dos valores éticos noológicos, originais do espirito que almejam a Honra e valores transcendentais à matéria?
Após a morte de Marx, as idéias se perpetuaram e ocuparam diversos campos de investigação filosóficos e interpretadas e adotadas por vários regimes políticos e sociais até os dias de hoje, em universidades e escolas, instituições governamentais e sociais. Os resultados práticos de tal “ética” têm visto na prática de vários países que adotaram a filosofia marxista, usando-se de suas “meias-verdades” para assumirem o poder e iludir os “trabalhadores”. Apenas transferindo a problemática espiritual e noológica para o TER material.
O homem moderno, com os avanços do conhecimento e das ciências começou a explorar, a dominar natureza em benefício próprio. Criamos uma cultura de exploração e dominação. Esta exploração acontece de uma forma desordenada e exploram tanto o nosso planeta em nome das riquezas e nem se quer se perguntam se o planeta agüenta tanta exploração desordenada e imbecil. O processo de exploração da natureza é tão calamitoso, que os grandes monopólios produtivos, através da propaganda “suicida” impõem cultura de consumo esgotando os recursos naturais e humanos do planeta.
Nas sociedades primitivas, o ritmo de trabalho da vida humana associava-se com o ritmo da natureza. A natureza era um meio de subsistência para o homem. No contexto capitalista a natureza passa a ser um instrumento de exploração do qual o capital se beneficia para gerar riquezas. Em outras palavras a riqueza nutre-se da exploração do trabalho humano e da natureza.
A ética sob a ótica de Nietzsche
Devemos desenvolver uma ética de auto-realização, do desenvolvimento de si mesmo. Entender a felicidade como criação de si mesmo, como auto-criação no jogo da experiência sem limites. A ética de Nietzsche repudia a moral.
Para Nietzsche a moral é uma força terrível e enganadora que tem corrompido a humanidade inteira. A moral é a grande mentira da vida, da história, da sociedade. Em "A genealogia da Moral", Nietzsche trata de desmascarar a moral. Para ele, enfoca a moral desde uma dupla visão.
A - Etimológico: busca as raízes das palavras "bom" e "mal" e encontra que seu significado tem mudado em relação ao que significa em um princípio. Bom significava "nobre", "dominador", "de classe superiora", "aristocracia" (areté, bonus, gut) e mal era débil, o simples, o vulgar, o plebeu, o submisso ao de classe superiora.
B - Historicamente: Nietzsche investiga a origem dos conceitos "bem" e "mal". Em sua origem encontra uma dupla moral:
1 - A moral dos senhores: é dos fortes, criativos, dominadores. Estes formam uma casta ou classe social que se impõe a classe débil, dos inferiores, dos vulgares e submissos. O dominador ama a vida, é duro para si e para os demais, e despreza a debilidade e a covardia, o medo, a humildade e a mentira. Não se compadece nem é piedoso.
2 - A moral dos escravos privilegia a igualdade, a compaixão, a doçura e a paciência. É própria dos oprimidos e dos débeis que a sua maneira depreciam esta vida e se refugiam no mais além.
Segundo Nietzsche, tem-se produzido uma transmutação dos valores. A busca socrática do universal, e da apropriação judaico-cristã da misericórdia e da compaixão executaram uma traição sobre a moral dos senhores, impondo uma moral de escravos como alternativa. Feitos históricos como a revolução Francesa ou a expansão da democracia vieram a verificar e confirmar esta traição. A inversão ou transmutação dos valores, está consumada e Nietzsche reivindica a moral dos senhores. A moral e a religião são enganos, traições, imposições.
Nietzsche, nos ensina algo além da ética meramente sofista, didática, imposta: a Honra, a vontade de poténcia. Uma meta-ética.
É pela vontade de si mesmo, do triunfo da vontade e da superação do nada em si mesmo, que é possível aprender a ser ético, nobre (bem) e não mal (inferior, débil). Assim através do conceito do "übermensch" (superhomem) se poderá estar acima do "bem e do mal". Para Nietzsche e também Heidegger, a ética não se ensina, não se aprende, não se impõe - ela apenas é parte de quem tem honra e vontade de poténcia. Para Heidegger a ética não precisa ser ensinada, pois esta é original, ou seja, esta no SER, e quem busca o SER pela metafísica, busca a ética.
E por isso hoje, a sociedade moderna, decai cada vez mais ao limbo do vazio, do nada, do materialismo de Marx e Engels, da filosofia de não se fazer nada de Sartre. Somente uma sociedade com a moral de "escravo" poderia adotar tão bem tal decadência.
Porém, a ética se perde entre os revolucionários da filosofia Nietzscheriana e Heideggeriana e os da escola de Frankfurt (iluministas, existencialistas, materialistas, etc). Estes últimos, esquecem que ética não se impõe, nem se ensina através de teoremas e formulas prontas, mas sim buscando a si mesmo. Desta forma, fica evidente o fracasso dos sofistas na educação convencional.
Somente com um modelo ético noológico formado por princípios fundados na Honra, após o estudo ontológico dos entes, é possível criar o modelo original de ACADEMIA. Tal ACADEMIA seria o método de uma mimética (modelo, imitação) que busca a aspiração aos deuses e suas qualidades. Estudando os conceitos e uma axiologia dos mesmos, é possível desmembrar cada significado em diversos planos de significação horizontal, e até oblíquos, descobrindo assim seu arquétipo universal e escondido pelo sujeito racional. Para tal é necessário a aplicação de um modelo educacional eficaz: uma meta-ética.
Uma escola de metafisica para formar o virya, o buscador do SER e não do TER, para uma percepção noológica, a descoberta do meio em que vive, fruto da reflexão pura do EU. Uma postura ética valorosa, que esteja além da Honra psicológica, conceitos morais, culturais meramente fruto da razão e analítica meramente socrática, de comparação com o logos. Para isso, denominamos METAETICA.
Bem como as antigas Academias de Platão, e adotando-se do modelo romano, é possível formar o virya e prepara-lo prontamente à guerra total. Como foi com as Napolas alemães, o modelo ideal de soldado espartano, pretoriano, filósofo, guerreiro, soldado, tecnólogo e compondo assim uma ELITE ARISTOCRATICA DE CASTA GUERREIRA, o verdadeiro Übermensch.
LVCIVS VORENVS
AVE LEGIO VI
VOLVNTAS INVICTA












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