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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Reflexões Fundamentais para uma nova Filosofia e Ética: Metaética


Parte I

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Filosofia (do grego Φιλοσοφία: philos - que ama + sophia - sabedoria, « que ama a sabedoria ») é a investigação crítica e racional dos princípios fundamentais relacionados ao mundo e ao homem.

Partir da filologia da palavra filosofia, já tem por si mesmo, a importância da filosofia como sentido de vida. A sabedoria é fruto do ser, de quem busca uma razão para sua existência. É aquele que se coloca a frente da matéria e diz: EU SOU. A partir daí temos um ser pensante, aquele que pensa e tem consciência de si mesmo. Todos somos filósofos partindo desse pressuposto, não se trata de uma mera diferenciação funcional entre sujeito-objeto ao molde descartiano, pois trata-se de algo mais profundo, a antítese essencial da hostilidade Espírito-matéria segundo a tradição hiperbórea.

Contudo há de advertir que nos tempos modernos, onde o bem material é a fonte de “sabedoria e poder”, sabemos que a filosofia esta sendo abstraída por “doutrinas” de cunho acadêmico e social. Criando uma falsa sensação do saber, de pensar e formar “acadêmicos”. Nossas “academias” de hoje, não ensinam a arte da filosofia, seja no âmbito matemático ou cientifico, sequer no setor metafisico. Criando assim uma sociedade de “tecnocratas” profissionais a serviço do mercado de trabalho, e não do LIVRE PENSAR, ou seja, da FILOSOFIA.

clip_image003Por isso que, o MITO, sempre foi importante à formação da compreensão humana, de sua existência como um todo, e absolutamente, para compreender a si mesmo. “Conhece a ti mesmo, e conhecerá o universo inteiro” já dizia o lema da SS e de antigos pensadores, pois esta é a base do conhecimento filosófico. Porém, crescentemente desde a penetração do Cristianismo semita na Europa e culminando nos tempos modernos, vemos a racionalização do mito, como sendo meras histórias, lendas e aventuras de heróis contra monstros e bestas, mas não como um simbolismo de conceitos esotéricos e arquetípicos para compreender a nossa psique. Ai reside o erro conceitual moderno: o racionalismo, que leva a uma literalidade horizontal.

O mito em si, não pode ser compreendido como algo literal, de começo meio e fim, mas sim, como uma gama de símbolos e arquétipos que cada qual tem seu significado latente dentro de um contexto significativo oblíquo. O mito, é portanto, a base da compreensão do nosso inconsciente, do nosso ser-em-si com base em nossas percepções analógicas ao sentir.

Assim, podemos concluir que esta sociedade é decadente, carente de heróis e líderes, ausentes de consciência política e social e sem a consciência filosófica da busca pelo conhecimento. A ética existente é meramente psicológica e racional, isto levará a destruição total da humanidade, desde o seu ser, até o seu corpo físico. Quem pensa, vive, quem não pensa apenas existe.

A natureza existencial do homem, em diferença aos outros animais, contém em si a possibilidade de direcionar para si mesmo as faculdades reflexivas de sua consciência. Isso significa que o autoconhecimento, e a reflexão sobre si mesmo, constituem modos essenciais de uma autêntica existência do homem como tal. Ademais da busca constante pelo autoconhecimento constituir o próprio exercício da humanidade, o caminho do autoconhecimento abre amplas possibilidades existenciais, na medida em que o conhecimento de si mesmo, das próprias capacidades e limitações, concede ao homem a oportunidade não apenas de atuar efetivamente na realidade, mas principalmente de dominar a si mesmo, alcançando assim o ideal clássico da Autarkeia, ou seja, Liberdade, por meio da GNOSE.

O que é passar da atitude ingênua do senso comum à atitude filosófica?

Para respondermos esta pergunta, primeiro devemos observar os fenômenos que ocorrem no nosso meio, seja no macro ou micro-cosmo. Deste modo, o observador, deve ser dotado de um senso de percepção noológica intuitiva e racional, ou seja, através do “sangue” (signo da origem) e da “serpente” (logos).

Para passar da atitude ingênua do senso comum, diante do marco do conhecimento filosófico e do saber, é necessário ser dotado de senso critico. Não basta apenas ver os entes sob a ótica coletiva e aparente, baseando-se em dogmas, cultura, fé ou crença. Deve-se ter além do senso crítico, uma semântica noológica, um saber interior, para compreender as relações de sentido nas quais está inserido o ente, ou objeto cultural estudado (finalidade, suprafinalidade). Desta forma poderemos estudar todos os fenômenos inerentes ao ente, sua multiplicidade de variações ante os fenômenos e não ter apenas uma perspectiva causal, de causa e consequência, e sim, do seu vir-a-ser (desígnio, enteléquia). Um bom pensador, em sua pesquisa, apreende todos os fenômenos de diversos ângulos e dimensões, ou seja, em múltiplos planos de significação, elaborando posteriormente um contexto de significação para uma linguagem habitual que seja inteligível aos demais, trabalho de um “construtor de pontes”; usando da parte cognoscitiva do cérebro e a própria cultura, signos e linguagem como arma estratégica. Assim não se prendendo apenas às regras comuns, buscando o aperfeiçoamento científico dos estudos dos entes da matéria, como os gregos e antigos sempre fizeram, através da filosofia, metafísica, gnose, ou seja, uma ciência hiperbórea.

Tal ciência de nada tem a ver com a moderna, limitada apenas a um conjunto de regras e conceitos dentro de uma linguagem habitual única, pré-determinada. O fenômeno apenas é analisado diante de uma única perspectiva e observação, baseando-se em premissas culturais. Um ente em si, não existe apenas diante de uma conformação de instante, ele se comporta de formas variadas, pré-determinadas de acordo com o que foi descoberto e dotado sentido a ele, em um marco de uma cultura local. A universalidade dos conceitos e idéias doadas aos entes da matéria leva a humanidade para um colapso ético e moral, para um abismo que torna o homem como um mero instrumento limitado ao já estabelecido: uma ferramenta.

Infelizmente, nos tempos modernos, tal busca é limitada apenas ao âmbito do sensivelmente perceptível e do quantificável, e às regras já elaboradas anteriormente por OUTROS pesquisadores e pensadores, e, portanto, limitado a regras já pré-determinadas. Portanto, pseudocientistas elaboram teorias e teses que nada revelam sobre a essência dos entes, apenas quantificando relações entre os mesmos, razão pela qual até hoje nossas tecnologias se vêem limitadas a essas leis normativas, tanto físicas, matemáticas, químicas e ou morais e éticas.

A diferença entre a relação do homem com os entes, e o meio em que se vive, era muito mais analisada e observada diante de uma semântica, do que é hoje pelos “pensadores” modernos nas civilizações mais antigas como a grega e a romana. Estes procuravam de fato uma ciência da qual o homem estivesse inserido de forma que não fosse apenas um instrumento de ação causal, mas sim, interferisse diretamente no mesmo, de forma que o homem fosse inspirado por conceitos e valores éticos, influenciados diretamente pela vontade de poténcia, ou seja, o semi-divino ou ideal de deus e herói.

No entanto, para compreender qual atitude ante uma ciência hiperbórea, devemos nos aprofundar no conceito de Ética e Moral, sua formação e origem ou como Nietzsche retratou bem, uma Etimologia completa. Iremos discorrer mais sobre tais conceitos.

Onde surgiu o conceito de ética?

Por vezes, o conceito de Ética é confundido com o conceito de moral. É necessária, portanto, uma abordagem na diferenciação de ambos, uma vez que possuem significados idênticos e origens distintas, conforme relata Passos (2004) em seus estudos sobre Ética nas organizações:

Moral vem do latim mores, que quer dizer costume, conduta, modo de agir; enquanto ética vem do grego ethos, e do mesmo modo, quer dizer costume, modo de agir. Essa identidade existente entre elas marca a tendência de serem tratadas como a mesma coisa. Contudo, alguns autores, entre eles Sanches Vasquez admitem que, apesar do estreito vínculo que as une, elas são diferentes. Constituem-se em realidades afins, porém diversas. (PASSOS, 2004, p. 22).

Na visão de Srour (2000), Ética e Moral são:

[...] o que vem a ser a moral? Um conjunto de valores e de regras de comportamento, um código de conduta que coletividades adotam, quer sejam uma nação, uma categoria social, uma comunidade religiosa ou uma organização. Enquanto Ética diz respeito à disciplina teórica, ao estudo sistemático, a moral corresponde às representações imaginárias que dizem aos agentes sociais o que se espera deles, quais comportamentos são benvindos e quais não. Em resumo, as pautas de ação ensinam o ‘bem fazer’ ou o ‘fazer virtuoso’, a melhor maneira de agir coletivamente; qualificam o bem e o mal, o permitido e o proibido, o certo e o errado, a virtude e o vício. (SROUR, 2000, p. 29)

Para enriquecer os conceitos de Ética e Moral, segue mais uma citação do teólogo e escritor Boff (2003):

A Ética é a parte da filosofia. Considera concepções de fundo acerca da vida, do universo, do ser humano e de seu destino, estatui princípios e valores que orientam pessoas e sociedades. Uma pessoa é ética quando se orienta por princípios e convicções. Dizemos, então, que tem caráter e boa índole.
A moral é parte da vida concreta. Trata da prática real das pessoas que se expressam por costumes, hábitos e valores culturalmente estabelecidos. Uma pessoa é moral quando age em conformidade com os costumes e valores consagrados. Estes podem, eventualmente, ser questionados pela ética. Uma pessoa pode ser moral (segue os costumes até por conveniência) mas não necessariamente ética (obedece a convicções e princípios).
(BOFF, 2003, p. 37).

A reflexão sobre a Ética tem sua origem na Grécia antiga com o Sócrates (470-399 a.C.), Platão (427- 347 a.C.) e Aristóteles (384-322 a.C.).

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Platão foi discípulo de Sócrates e, também, mestre de Aristóteles. Escrevia em forma de diálogos que estão destacados em três fases: diálogos da juventude, diálogos da maturidade e diálogos da velhice. Ele se refere ao mundo ideal, no qual comportar-se eticamente é agir de acordo com o logos, ou melhor, com retidão de consciência. Baseava-se na idéia de que este mundo não é o verdadeiro mundo, por isso as coisas não são como deveriam ser (ARRUDA, WHITAKER, RAMOS, 2001).

Leonardo Boff, em sua obra ética e moral, a busca dos fundamentos define ética e moral da seguinte forma:

A ética é parte da filosofia. Considera concepções de fundo acerca da vida, do universo, do ser humano e de seu destino, institui princípios e valores que orientam pessoas e sociedade. Uma pessoa é ética quando se orienta por princípios e convicções. Dizemos então, que tem caráter e boa índole.


A moral é parte da vida concreta. Trata de prática real das pessoas que se expressam por costumes, hábitos e valores culturalmente estabelecidos. Uma pessoa é moral quando age em conformidade com os costumes e valores consagrados. Estes podem, eventualmente, ser questionados pela ética. Uma pessoa poder ser moral (segue os costumes até por conveniência) mas não necessariamente ética (obedece a convicção e princípios). (BOFF, 2003, p.37)

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Ética é, acima da moral, uma postura diante do mundo, é uma expressão de uma cosmovisão, segundo a tradição hiperbórea, uma visão da decadência que é o mundo material com seus desejos animalescos e sentimentos inferiores.

Na vida diária são os valores morais que orientam o comportamento humano. Eles são frutos da educação familiar, escolar e da herança cultural da comunidade. Se os valores morais são próprios de uma comunidade e como as comunidades são distintas, cultivam valores distintos, portanto os valores são relativos. Muitos valores são importantes para uma determinada comunidade para outras não o são. Estes valores fazem parte da nossa vida intersubjetiva. Os valores morais são ligados a crenças pessoais sobre comportamentos eticamente corretos ou incorretos em relação ao indivíduo ou em relação à comunidade. Eles são as atribuições de sentido moral aos entes externos, que são confirmados coletivamente pela comunidade, tornando-se parte da cultura.

É impossível analisar o agir humano sem analisarmos os valores. Os valores são abstratos, não se vêem, mas se lhes sente a presença e a força. Para entender o que venha a ser um valor, o autor Ivo Gelain apresenta algumas expressões que, embora não os definam, permitem que deles tenhamos uma idéia.

Fundamentos motores do agir humano: os valores dão a dinâmica do agir: o homem que perde os valores perde a razão de seus atos e sente perder o sentido da vida; Aspiração básica do ser humano: estas aspirações relacionam-se com a realização das potencialidades originárias do homem; Referências comparativas: optar por um ato, ao invés do outro, significa percepção de maior valor ou maior interesse num do que no outro; Algo pelo qual vale a pena viver, lutar e até morrer: ao se perder os valores perde-se o interesse por aquele ato ou por aquela seqüência de atitude; A priori do emocional: em determinadas atitudes, quando realizada sob a dinâmica dos valores, o emocional é suplantado pelo valor. Assim, a saudade, o amor, a tristeza e outros ficam em segundo plano quando existem valores impulsionando o agir. (GELAIN, 1987, p.13-14)

O conhecimento, para Sócrates, reside no próprio interior do homem. Conhecendo-se a si mesmo, pode-se conhecer melhor o mundo (Maiêutica). Esse entendimento é fruto da intuição que os gregos tinham da lei hermética segundo a qual o Microcosmos é um reflexo do Macrocosmos, havendo uma analogia entre ambos. Assim, o conhecimento do primeiro, coloca automaticamente à disposição o conhecimento do segundo.

Assim, o ensinamento ético de Sócrates reside no conhecimento e na felicidade. Para saber julgar acerca do que é o bem e ou o mal, é necessário o autoconhecimento (gnose). O autoconhecimento significa sabedoria e discernimento, esta é uma ética sólida. O domínio efetivo das paixões, dos desejos são fundamentais para o cultivo da verdadeira virtude e a felicidade. O saber é o que conduz o homem à felicidade. A Ética noológica é impossível se ao longo do processo de individuação, o Eu não for capaz de manter o Sujeito Anímico, sede das paixões e desejos animais, subjugado.

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Platão desenvolveu o racionalismo ético valorizando o mundo ideal, ou o mundo das idéias. Neste sentido para Platão há uma realidade Divina, além da realidade humana. Esta realidade Divina estabelece a existência de uma justiça divina, deferente da justiça aplicada pelos homens. No mundo dos governos, há uma justiça ineficaz, relativa e contraditória, diferente da justiça Divina. O homem dever buscar a virtude a excelência, desenvolver a capacidade de aprimoramento ou a perfeição da vida. O ser humano deve identificar-se pelo que há de melhor e mais excelente, e nesse sentido deve buscar inspiração nas faculdades que caracterizam os deuses; os mais excelentes dos seres.

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Para Aristóteles, a Ética é a ciência de praticar o bem. O bem de cada coisa está definido em sua natureza: esse bem é um objetivo a atingir. No realismo aristotélico, toda ação livre tem como finalidade um bem. O bem é o objeto de nossas aspirações. A felicidade seria o bem supremo do homem. Esta consiste na atividade do espírito de acordo com a virtude. E qual seria este “bem”? Segundo as palavras de Nietzsche:

— Olhemo-nos face a face. Somos hiperbóreos(1) — sabemos muito bem quão remota é nossa morada. “Nem por terra nem por mar encontrarás o caminho aos hiperbóreos”: mesmo Píndaro, em seus dias, sabia tanto sobre nós. Além do Norte, além do gelo, além da morte — nossa vida, nossa felicidade… Nós descobrimos essa felicidade; nós conhecemos o caminho; retiramos essa sabedoria dos milhares de anos no labirinto. Quem mais a descobriu? — O homem moderno? — “Eu não conheço nem a saída nem a entrada; sou tudo aquilo que não sabe nem sair nem entrar” — assim suspira o homem moderno… Esse é o tipo de modernidade que nos adoeceu — a paz indolente, o compromisso covarde, toda a virtuosa sujidade do moderno Sim e Não. Essa tolerância e largeur(2) de coração que tudo “perdoa” porque tudo “compreende” é um siroco(3) para nós. Antes viver no meio do gelo que entre virtudes modernas e outros ventos do sul!… Fomos bastante corajosos; não poupamos a nós mesmos nem os outros; mas levamos um longo tempo para descobrir aonde direcionar nossa coragem. Tornamo-nos tristes; nos chamaram de fatalistas. Nosso destino — ele era a plenitude, a tensão, o acumular de forças. Tínhamos sede de relâmpagos e grandes feitos; mantivemo-nos o mais longe possível da felicidade dos fracos, da “resignação”… Nosso ar era tempestuoso; nossa própria natureza tornou-se sombria — pois ainda não havíamos encontrado o caminho. A fórmula de nossa felicidade: um Sim, um Não, uma linha reta, uma meta…(NIETZSCHE,1888, p. 38).

E ainda continua Nietzsche (1888) sobre o “bem” e a “felicidade” ética hiperbórea:

O que é bom? — Tudo que aumenta, no homem, a sensação de poder, a vontade de poder, o próprio poder.
O que é mau? — Tudo que se origina da fraqueza.
O que é felicidade? — A sensação de que o poder aumenta — de que uma resistência foi superada.
Não o contentamento, mas mais poder; não a paz a qualquer custo, mas a guerra; não a virtude, mas a eficiência (virtude no sentido da Renascença, virtu(1), virtude desvinculada de moralismos).
Os fracos e os malogrados devem perecer: primeiro princípio de nossa caridade. E realmente deve-se ajudá-los nisso.
O que é mais nocivo que qualquer vício? — A compaixão posta em prática em nome dos malogrados e dos fracos — o cristianismo…

“Vir”, em latim, significa “varão”, “homem”. Ou seja, “virtu”, neste “sentido da Renascença”, designa qualidades viris como força, bravura, vigor, coragem, e não humildade, compaixão etc. (N. do T.).

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A Idade Média foi caracterizada pelo Renascimento, período vivido por Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino, onde ambos roubaram conceitos de Platão, Sócrates e Aristóteles, num momento de obscurantismo, a fim de atribuir o conceito de ideal humano, ético e moral à imagem de Deus e não dos deuses antigos, tomando assim uma mudança na deontologia e moral da época conforme relata Passos (2004):

A situação política e social era mais complexa, de modo que não se podia pretender a mesma harmonia da polis grega. Também por questões ideológicas, houve o predomínio da teoria sobre a prática. O Cristianismo tornou-se a religião oficial e influenciou tudo, inclusive a prática moral.
Nesse novo contexto, o conteúdo moral modificou-se, entrando em cena a autonegação e humildade e a disposição para obedecer, uma vez que os seres humanos eram considerados como imagem e a semelhança de Deus. O que os unificava era a autoridade de Deus, identificada como a origem e o fundamento da lei moral. ´[...]. A ética cristã estabelece a relação entre Deus e o homem, baseando-se em verdades reveladas. Nela, Deus é colocado como origem e fim de tudo, inclusive das ações humanas. Assim, resta ao ser humano seguir as leis divinas, submeter-se a Ele. (PASSOS, 2004, p. 37).

A inversão do SER para o TER

A raiz do problema se encontra justamente na inversão do sentido do homem, passou-se do “ser” para o “ter”, assim o homem é considerado por aquilo que tem e não pelo que é. Valoriza-se "a conquista e o domínio desse mundo pelo dinheiro e pelo poder material, pela ciência e pela tecnologia” do que a assimilação pessoal e à vivência honrosa dos valores que dão sentido a vida humana, como a Vontade, o Valor, a Honra, a Justiça e a Virtude. Desse modo, a ética sofre uma derrota brutal perante o caráter econômico, a ética perdeu (espaço) para a economia. O homo faber, o homo economicus, prevaleceu sobre o homo sapiens.

Contudo, a própria economia caminha por veredas tortuosas. Assim, mesmo esta economia de mercado material e semita, jamais deixará também de ser meramente humana.

O desenvolvimento do modelo de produção capitalista, que nos seus primórdios se voltou para o enriquecimento próprio, o progresso e o desenvolvimento da técnica, do capital financeiro, modificando-se com o decorrer do tempo e estabelecendo-se de modo migratório transitando historicamente da produção para o consumo, pois o crescimento do mercado e a satisfação dos produtos foram levando-o a reconhecer que não basta produzir mais, mas é preciso produzir melhor para satisfazer os consumidores e conseguir vender, tal a importância que se dá hoje à “qualidade de vida".

Isso implica necessariamente na suplantação da qualidade diante da quantidade, configurando-se como um dos principais conceitos da economia contemporânea. Isso significa precisamente que no conjunto de propriedades e características de um produto ou serviço, que o torna apto a satisfazer necessidades expressas ou implícitas dos eventuais consumidores. Deste modo, referir-se a qualidade implica em recorrer a uma “nova ética” porque esta confere a referida qualidade ao ser e a vida, atendendo a demanda deste consumidor e seus “alentos”. Onde que justamente entra a publicidade, a propaganda, o marketing e a falsa sensação de suprir as necessidades básicas do ser humano, propondo a felicidade e o prazer acima de tudo, centralizando no objeto ou ente a ser adquirido este vir-a-ser.

Revendo o conceito de qualidade.

Seguindo o raciocínio dos filósofos antigos, os conceitos são siana ad placitum, ou seja, empregam-se para designar aspectos inteligíveis da realidade sendo consenso a condição fundamental para examinar e dialogar de modo profundo em nossa humanidade.

A pergunta que precisamos considerar é qual o aspecto da realidade que é designado pelo conceito de qualidade? Contudo, se pensarmos desse modo não alcançaremos uma resposta única, porque os conceitos não são atemporais, ou seja, eles variam conforme o contexto histórico, ou a forma em que são tomados da experiência varia muito.

Por isso é importante distinguir o contexto em que se foi tomado de realidade pelos gregos e outros filósofos, acerca da qualidade, ética, valores, e diversos conceitos. O conceito de qualidade, portanto, é muito antigo. Assim, a linguagem possui uma carga maior é mais pesada do que as idéias. As idéias variam conforme a cultura e as questões postas, mas as palavras permanecem por simples força inercial. Podem as linguagens estar num contexto tanto de significação horizontal, como obliqua, e para a tradução em uma linguagem HABITUAL é necessário que seja trazida para um contexto de significação horizontal.

A qualidade do sujeito.

Podemos distinguir o conceito de qualidade do ponto de vista histórico:

Na perspectiva Grega qualidade designou um aspecto inteligível que caracteriza determinado ser em si mesmo que o torna tal, dizia Aristóteles. Usando como referencia os analíticos, Aristóteles situa a qualidade entre os atributos que se dizem do próprio sujeito, distinguindo-se da substância da relação. Assim, a qualidade é pois aqui um conceito que designa o que caracteriza determinado sujeito, dá conta de qual é ou como é em si mesmo sob determinado prisma do sujeito consciente e também cultural.

O filósofo Grego de Estagira foi muito a fundo clarificando os diferentes modos de se dizer o ser. Desta maneira, o sujeito pode ser dito através das "habilidades que possui", a maneira com a qual exerce sua atividade de humano, a liberdade, o modo que administra sua atividade e sexualidade, isso fora denominado posteriormente de "virtude". Portanto temos claro que a ética noológica, focada no estudo do SER, do espirito, é muito diferente do conceito atual de ética psicológica, focada na necessidade de imitar a realidade ou dar sentido a uma linguagem, que foi traduzida pela analise do sujeito racional em uma linguagem horizontal. Isso chegou de forma abrupta, determinando os conceitos de qualidade, virtude, bem e mal, a ética em si, com o iluminismo racionalista. Pois a análise do ser, da ética noológica, não é mais ao microcosmo, e sim agora, ao macrocosmo em analisar a realidade. Hegel afirma que a “razão é que determina a realidade e a realidade é o que determina a razão”.

Modernidade e a ética

A modernidade afasta a idéia (medieval e renascentista) de um universo regido por forças espirituais secretas que precisariam ser decifradas para que com elas entremos em comunhão (cristianismo medievo). O mundo se desencanta, e passa a ser governado por leis naturais racionais e impessoais que permitirão aos homens o domínio da técnica sobre a Natureza. A realidade passa a existir sob o modo da representação (isto é, pelo modo como é apreciada intelectualmente pelas operações do sujeito do conhecimento) e o saber se preocupa cada vez menos em dizer o que as coisas são e cada vez mais em conhecer como operam e funcionam. Pouco a pouco vai sendo cavada a diferença entre Homem e Natureza – no século XVIII, diferenciam-se Natureza e Civilização; no século XIX, diferenciam-se Natureza e Cultura, Natureza e História. A liberdade desaparece da Natureza e vem alojar-se no campo humano da civilização, da cultura e da história, campo da ação racional orientada por fins e valores. Pouco a pouco, a ética vai deixando de ser a conformidade com a Natureza para tornar-se, sobretudo com Kant, o abandono da Natureza e mesmo oposição a ela.

clip_image002[13]A concepção mais expressiva do período moderno a respeito da natureza humana é a de uma natureza racional, que encontra em Kant a sua formulação mais bem-acabada.

Em seus textos “Crítica da razão prática” e “Fundamentação da metafísica dos costumes”, Kant aponta a razão humana capaz de elaborar normas universais, uma vez que a razão é um predicado universal dos homens. As normas morais têm, portanto, a sua origem na razão.

Neste sentido a ética kantiana é formal porque ela postula o dever como norma universal, sem se preocupar com a condição individual na qual cada um se encontra diante deste dever. Kant dá a forma de uma ação moralmente correta, mas nada diz a respeito do seu conteúdo. Em outras palavras, ele nos dá uma forma de como devemos agir em cada situação concreta, apenas dá a forma geral das ações através do imperativo categórico. Para Kant o imperativo categórico é agir na conformidade com princípios que desejo que sejam aplicados para todos.

Kant defende a razão humana como uma fonte legisladora com capacidade de elaborar normas universais. Portanto, as normas morais têm a sua origem na razão e todas as atitudes práticas devem me orientar para que estes princípios se tornem universais e que possam ser também os princípios de qualquer ser humano.

Eduardo Bittar e Guilherme de Almeida (2006, p. 271) resumem o imperativo categórico kantiano da seguinte forma: “o imperativo categórico é, pois, único, e é como segue: age só, segundo uma máxima tal, que possas querer ao mesmo tempo que se torne lei universal”.

A Liberdade para Kant seria agirmos de acordo com as leis morais universais. Uma liberdade voltada somente para a minha individualidade, para a minha liberdade individual torna-se vazia e egoísta, pois só incluiria a minha vontade e não poderia ser estendida a todos os outros sujeitos ou como uma noção universal. Desconstruindo assim a ideia de liberdade individual, dotando de egoísmo ou inserindo-se em um outro contexto de linguagem, uma ideia e conceito fora do seu significado original, levando a universalidade da ética e moral.

Dizemos que a ética kantiana é formal porque ela postula o dever como norma universal, sem se preocupar com a condição individual na qual cada um se encontra diante deste dever. Em outras palavras, Kant nos dá a forma da ação moralmente correta, mas não diz nada acerca do seu conteúdo. Ele não nos diz o que devemos fazer em cada situação concreta, apenas dá a forma geral das ações através do imperativo categórico.

clip_image004[6]Já para Hegel, ao afirmar que o “que é racional é real e o que é real é racional”, não quer dizer que tudo o que é real é racional. Dito de outra forma, nem tudo o que é real é racional, tendo-se em vista aquilo que pode ser identificado como o caos, como o desordenado, pois nisso não há razão. Dizer que o real é racional não é o mesmo que dizer que todo o real é racional. O que Hegel pretende fazer entender é que a razão ordena o real, de modo a que este real se faça racional. O sentido de organização, de ordenado, de idealizado decorre exatamente da intervenção do homem como ser racional sobre a realidade.

O que Hegel quer nesta afirmação é que o real só é real porque é objeto de conhecimento de um sujeito, depois de identificado e conhecido se torna racional. É neste sentido a ética aprende com a história e com as relações individuais e sociais. Isto é importante nas decisões morais.

Neste contexto, você considera possível definir a realidade pelos parâmetros da racionalidade? Adotando-se uma ética psicológica e racional?

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Com Karl Heinrich Marx (1818-1883) há uma grande mudança na visão ética da filosofia, na política e na economia. Para Marx as idéias, os pensamentos não devem ser analisados como mero produto da mente humana ou como um pensamento puro anterior às experiências. O pensamento humano é determinado pelas condições histórico-político-sociais e estabeleceria com elas uma relação dinâmica. O pensamento só tem sentido se for relacionado com a realidade concreta, ou seja, com a suprafinalidade do ente no ser-em-si e seu desígnio.

Neste aspecto Gilberto Cotrin (2005, p.279) elabora uma síntese do pensamento marxista mostrando que o homem é um ser essencialmente social:

Já para Marx o homem não é nem uma essência nem um “recipiente” no qual o espírito se manifesta, mas um indivíduo que se forma e se constitui no interior das relações sociais nas quais vive. Em suas palavras, “o indivíduo é o ser social. Com essa formulação, Marx quer enfatizar o indivíduo humano como essencialmente social.

Esta análise real da história foi chamada pelo seu companheiro de estudo Friedrich Engels de materialismo histórico. A visão materialista histórica consiste em pensar o homem como um ser concreto e inserido na sociedade e não pode ser pensado de uma forma abstrata como Hegel e nem de uma forma isolada como Feuerbach, Kierkegaard e Schopenhauer.

Segundo Marx a sociedade capitalista está dividia em classes sociais onde uma minoria detém as riquezas, ditam as regras para a maioria que é a classe trabalhadora. Este sistema transforma um ser humano um objeto de uso para ser explorado, manipulado, coisificado, alienado, submetido a distorções. Estas desigualdades são fruto das sociedades industriais modernas em que o operário detém a força de trabalho e em troca recebe um salário para que sobreviva alienado. É o processo da mais-valia, o proletário é um instrumento importante para a geração de lucros e em troco não recebe um valor digno pelo que produziu.

No entanto, ele instiga a luta de classes, coisificando a problemática em algo meramente material e em busca de um conforto material e físico. Deste modo a ética marxista consiste no racional, na realidade e seu ambiente, onde que o que você TEM, determina o que você É, assim sendo feliz, justo ou injusto dentro destes conceitos de classes sociais. O ser humano não pode ser feliz estando em uma classe social desfavorecida financeiramente no mercado, incitando assim a destruição da outra classe dominante para então ocupar o seu lugar ou nivelar ambos, minando assim qualquer outra via de solução ética e valorosa.

Marx chama de mais-valia o lucro que o dono do capital tira através da exploração da classe trabalhadora no processo de produção de mercadorias e em troca receber um salário. Seria uma espécie de trabalho gratuito característico de alguns povos escravagistas onde os escravos entregavam aos seus senhores. É uma forma disfarçada, porém considerada legítima de transferência de riquezas para a classe dominante. A mais-valia nos dias de hoje gera lucros para as instituições financeiras e para os donos de propriedades e indústrias. É a mais-valia que caracteriza a divisão de classes sociais no sistema capitalista segundo Marx e os comunistas, marxistas e socialistas.

As pessoas no sistema capitalista são tratadas como mercadorias ambulantes. Trabalham para produzir riquezas para as classes dominantes. Só para se ter uma idéia, a folha de pagamento é considerada despesa, e não se valoriza o que o funcionário produz na empresa.

Você já refletiu como os conceitos de alienação e mais-valia se fazem presentes em sua vida?

De que realmente não existe outra saída além da proposta por Marx, na luta de classes?

Será que isso é verdadeiro? Marx a única saída?

A felicidade vem na destruição de outra classe mais favorecida materialmente ou na busca do SER e dos valores éticos noológicos, originais do espirito que almejam a Honra e valores transcendentais à matéria?

Após a morte de Marx, as idéias se perpetuaram e ocuparam diversos campos de investigação filosóficos e interpretadas e adotadas por vários regimes políticos e sociais até os dias de hoje, em universidades e escolas, instituições governamentais e sociais. Os resultados práticos de tal “ética” têm visto na prática de vários países que adotaram a filosofia marxista, usando-se de suas “meias-verdades” para assumirem o poder e iludir os “trabalhadores”. Apenas transferindo a problemática espiritual e noológica para o TER material.

O homem moderno, com os avanços do conhecimento e das ciências começou a explorar, a dominar natureza em benefício próprio. Criamos uma cultura de exploração e dominação. Esta exploração acontece de uma forma desordenada e exploram tanto o nosso planeta em nome das riquezas e nem se quer se perguntam se o planeta agüenta tanta exploração desordenada e imbecil. O processo de exploração da natureza é tão calamitoso, que os grandes monopólios produtivos, através da propaganda “suicida” impõem cultura de consumo esgotando os recursos naturais e humanos do planeta.

Nas sociedades primitivas, o ritmo de trabalho da vida humana associava-se com o ritmo da natureza. A natureza era um meio de subsistência para o homem. No contexto capitalista a natureza passa a ser um instrumento de exploração do qual o capital se beneficia para gerar riquezas. Em outras palavras a riqueza nutre-se da exploração do trabalho humano e da natureza.

A ética sob a ótica de Nietzsche

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Devemos desenvolver uma ética de auto-realização, do desenvolvimento de si mesmo. Entender a felicidade como criação de si mesmo, como auto-criação no jogo da experiência sem limites. A ética de Nietzsche repudia a moral.

Para Nietzsche a moral é uma força terrível e enganadora que tem corrompido a humanidade inteira. A moral é a grande mentira da vida, da história, da sociedade. Em "A genealogia da Moral", Nietzsche trata de desmascarar a moral. Para ele, enfoca a moral desde uma dupla visão.

A - Etimológico: busca as raízes das palavras "bom" e "mal" e encontra que seu significado tem mudado em relação ao que significa em um princípio. Bom significava "nobre", "dominador", "de classe superiora", "aristocracia" (areté, bonus, gut) e mal era débil, o simples, o vulgar, o plebeu, o submisso ao de classe superiora.

B - Historicamente: Nietzsche investiga a origem dos conceitos "bem" e "mal". Em sua origem encontra uma dupla moral:

1 - A moral dos senhores: é dos fortes, criativos, dominadores. Estes formam uma casta ou classe social que se impõe a classe débil, dos inferiores, dos vulgares e submissos. O dominador ama a vida, é duro para si e para os demais, e despreza a debilidade e a covardia, o medo, a humildade e a mentira. Não se compadece nem é piedoso.

2 - A moral dos escravos privilegia a igualdade, a compaixão, a doçura e a paciência. É própria dos oprimidos e dos débeis que a sua maneira depreciam esta vida e se refugiam no mais além.

Segundo Nietzsche, tem-se produzido uma transmutação dos valores. A busca socrática do universal, e da apropriação judaico-cristã da misericórdia e da compaixão executaram uma traição sobre a moral dos senhores, impondo uma moral de escravos como alternativa. Feitos históricos como a revolução Francesa ou a expansão da democracia vieram a verificar e confirmar esta traição. A inversão ou transmutação dos valores, está consumada e Nietzsche reivindica a moral dos senhores. A moral e a religião são enganos, traições, imposições.

Nietzsche, nos ensina algo além da ética meramente sofista, didática, imposta: a Honra, a vontade de poténcia. Uma meta-ética.

clip_image004[8]É pela vontade de si mesmo, do triunfo da vontade e da superação do nada em si mesmo, que é possível aprender a ser ético, nobre (bem) e não mal (inferior, débil). Assim através do conceito do "übermensch" (superhomem) se poderá estar acima do "bem e do mal". Para Nietzsche e também Heidegger, a ética não se ensina, não se aprende, não se impõe - ela apenas é parte de quem tem honra e vontade de poténcia. Para Heidegger a ética não precisa ser ensinada, pois esta é original, ou seja, esta no SER, e quem busca o SER pela metafísica, busca a ética.

E por isso hoje, a sociedade moderna, decai cada vez mais ao limbo do vazio, do nada, do materialismo de Marx e Engels, da filosofia de não se fazer nada de Sartre. Somente uma sociedade com a moral de "escravo" poderia adotar tão bem tal decadência.

Porém, a ética se perde entre os revolucionários da filosofia Nietzscheriana e Heideggeriana e os da escola de Frankfurt (iluministas, existencialistas, materialistas, etc). Estes últimos, esquecem que ética não se impõe, nem se ensina através de teoremas e formulas prontas, mas sim buscando a si mesmo. Desta forma, fica evidente o fracasso dos sofistas na educação convencional.

Somente com um modelo ético noológico formado por princípios fundados na Honra, após o estudo ontológico dos entes, é possível criar o modelo original de ACADEMIA. Tal ACADEMIA seria o método de uma mimética (modelo, imitação) que busca a aspiração aos deuses e suas qualidades. Estudando os conceitos e uma axiologia dos mesmos, é possível desmembrar cada significado em diversos planos de significação horizontal, e até oblíquos, descobrindo assim seu arquétipo universal e escondido pelo sujeito racional. Para tal é necessário a aplicação de um modelo educacional eficaz: uma meta-ética.

Uma escola de metafisica para formar o virya, o buscador do SER e não do TER, para uma percepção noológica, a descoberta do meio em que vive, fruto da reflexão pura do EU. Uma postura ética valorosa, que esteja além da Honra psicológica, conceitos morais, culturais meramente fruto da razão e analítica meramente socrática, de comparação com o logos. Para isso, denominamos METAETICA.

clip_image006[8]Bem como as antigas Academias de Platão, e adotando-se do modelo romano, é possível formar o virya e prepara-lo prontamente à guerra total. Como foi com as Napolas alemães, o modelo ideal de soldado espartano, pretoriano, filósofo, guerreiro, soldado, tecnólogo e compondo assim uma ELITE ARISTOCRATICA DE CASTA GUERREIRA, o verdadeiro Übermensch.


LVCIVS VORENVS
AVE LEGIO VI

VOLVNTAS INVICTA

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Ciência Moderna e Ateísmo

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“O homem não deveria brincar de Deus”

Esta frase esconde, num plano de significação mais oblíquo, um sentido que deveria ser analisado de forma mais clara. Ela é referente à moderna manipulação da Ciência pelo homem, suas “descobertas”, “invenções” e demais “maravilhas”, manipulação esta que, segundo o sentido cultural mais horizontal da frase, poderia causar problemas de grandes proporções para o homem que seria incapaz de controlá-los. Colocando-se em posição de I.H.P.C. (Iniciado Hiperbóreo em Presente Compreensivo) podemos encontrar um aspecto significativo na frase, o qual atesta a possibilidade do homem tornar-se um deus através da manipulação das leis da Ciência. Mas seria realmente possível a um cientista, ou à comunidade científica mundial chegar ao nível de uma divindade praticando a Ciência Moderna? Obviamente que não; contudo, esse valor de divindade passa a ser atribuído à própria Ciência, como forma de via real, única e verdadeira, em que o homem deve direcionar sua visão da realidade.

clip_image004Nota-se, com isso, não apenas a falsidade disfarçada da frase, mas, sobretudo, a falsidade que constitui a Ciência Moderna para o Espírito, constituindo-se numa grande ferramenta a favor do Pacto Cultural.

A Ciência Moderna não possui absolutamente nenhum ponto de contato com a Liberação Espiritual; nunca qualquer virya, mesmo no mais profundo sono, poderia minimamente, mesmo de longe, enxergar qualquer sinal da Origem, de sua divindade roubada, da Traição dos Siddhas e do Grande Engano, através do prisma científico moderno. Muito pelo contrário, a Ciência Moderna é, na verdade, um culto de origem shambálica, cuja devoção é ao aspecto inteligência de Jehová – Binah –, e cujo formato arquetípico equivale ao de uma verdadeira religião sinárquica, estratégia psicossocial, com seus sacerdotes, seus “crentes ateus”, suas promessas e seus símbolos sagrados emergentes de que a Ciência tudo explicará e acabará com as guerras, trazendo a paz tão almejada por todos; é a transformação, pelo Pacto Cultural, da busca de conhecimento num culto sacerdotal típico do Povo Eleito. Busca de conhecimento esta que é reflexo da busca de orientação do Eu perdido, que gera verdadeiro conhecimento, o qual foi proibido e demonizado na imagem clip_image006do fruto proibido da “Árvore do Conhecimento” e que é tratado no mito de Prometeu. Neste sentido, a Ciência Moderna é uma corrupção e uma subversão do conhecimento antigo de diversas civilizações milenares, e tudo que a Ciência atual tem de mais válido é apenas uma releitura desses conhecimentos primordiais.

O culto à Binah – a Ciência Moderna – é um meio bastante clip_image001eficaz de se dissolver do inconsciente coletivo a Memória de Sangue e a recordação da Origem, pois primeiro esse culto exige um plano de significação específico no qual os entes devam ser significados através de uma linguagem lógico-formal que encarne toda sua compreensão, toda sua verdade, como se a Ciência pudesse desvendar todo o ente, e a verdade dos entes e dos fenômenos pudesse ser explicada de forma total pela Ciência – daí surge o símbolo de que a Ciência poderá explicar absolutamente tudo (entretanto, neste ponto surge um primeiro aspecto falso, pois qualquer plano de significação com sua linguagem específica pode evidenciar apenas um dos inúmeros aspectos da verdade de um ente ou fenômeno). A segunda ação desse culto será o repúdio imediato a toda e qualquer linguagem e conceito que não se adapte à horizontalidade do próprio culto, ou seja, a Ciência ignora como inexistente e falso tudo aquilo que não possa ser numericamente medido e interpretado de forma lógico-formal. Com isso, não apenas o Demiurgo será repudiado e ignorado em seus aspectos mais “espirituais” – Amor, Beleza e Poder –, restando a devoção à Binah, mas também o Espírito Encadeado será ignorado, esquecido, obscurecido e finalmente dissolvido, levando consigo toda gama de personagens e fatos culturais que agiram a favor e contra o Espírito.

clip_image010Eis um meio eficaz de se obscurecer e dissolver a Memória de Sangue. Sem Traição, sem Guerra Espiritual, não haveria motivo para hostilidade essencial, pois, segundo as mais famosas teorias científicas modernas, neste planeta estamos desde o momento em que a massa de átomos primordial do Sistema Solar começou a se esfriar e a girar milagrosamente ao redor do núcleo gravitacional do Sol, e desde que as primeiras proteínas aprenderam a se reproduzir e deram origem à vida. O que é o Espírito senão uma idéia dentre outras decorrente de neurônios ativados por neurotransmissores específicos da área de fantasia do cérebro?


clip_image008Como dito mais acima, tudo aquilo que há de mais verdadeiro e duradouro na Ciência Moderna é fruto de uma releitura matematizada e, digamos, sistematizada, de conhecimentos encontrados em antigas civilizações tradicionais, alguns já presentes na Atlântida, outros derivados de sabedorias milenares sobre diferentes aspectos dos fenômenos e de leis do micro e macrocosmos, evidentemente esta é uma parte mínima de todo arcabouço científico moderno, na maioria das vezes, colocada em segundo plano, ou então evocada como “novas descobertas da ciência”. O pensamento científico moderno apenas insere tais elementos de forma “palatável” (lógico-formal) na horizontalidade da cultura moderna. Aliás, isso põe por terra a sacralidade do culto científico como ápice do conhecimento humano e forma mais pura e verdadeira de sabedoria, método último de análise de qualquer ente e realidade; pois – para horror daqueles que crêem nesse poder da Ciência, que se dizem “homens da ciência”, crentes desse culto – a cultura é a priori da Ciência. Esta é dependente daquela. Expliquemos.

A Ciência Moderna conforma-se sobre uma macrorregião da superestrutura cultural que a alimenta de conteúdos sêmicos – essa macrorregião é, mais precisamente, o mundo ocidental iluminista e racionalista (dentre outras possíveis designações)—logo, ela, a Ciência, depende dos signos já emitidos sobre os entes que os membros desse mundo ocidental inicialmente projetaram, o que resulta na cultura moderna, ou superestrutura cultural, ou seja, a existência prévia dessa superestrutura cultural vai determinar os caminhos e finalidades da Ciência. Com isso, qualquer lei ou teoria científica, qualquer descrição de fenômenos ou entes construída a partir do método racionalista científico, depende dessa prévia estruturação cultural da realidade, a qual determinará as premissas culturais preeminentes, que são os pontos de ancoramento (princípios e/ou relações) que determinarão os aspectos de um fenômeno que serão, necessariamente, mais evidenciados pela razão, em detrimento de outros.

É de acordo com essas premissas culturais que a razão, encarnada pelo método científico, toma conta do sujeito consciente, e recorta e delimita a realidade em aspectos limitados de fenômenos e entes, destacando tais aspectos e ignorando o restante, simplesmente “fingindo” que não existem aspectos que não se modelam à razão e que tais aspectos não podem ser explicados por linguagens mais oblíquas. Enfim, tudo que esteja fora da área recortada por determinada ciência – que em geral é aquilo que ela não tem capacidade de observar e de aplicar nexos em linguagem lógica – é descartado como aspecto inexistente, ou seja, a explicação científica nunca abarca a totalidade de um ente ou fenômeno na sua forma completa dentro do macrocosmo. As leis científicas descrevem meros aspectos predeterminados segundo as premissas culturais, sendo inativadas e destruídas quando aplicadas fora do recorte produzido por tais premissas.

Isto é válido para todos os campos nos quais se divide a Ciência Moderna: ciências da natureza, ciências sociais, etc.

É preciso evidenciar que dentro do recorte específico de cada área de determinada ciência – os aspectos escolhidos pela razão – suas leis podem muito bem ser válidas, e funcionarem sobre determinado sentido, pois a linguagem lógico-formal assim o assegura, entretanto, como são sempre descrições de aspectos limitados, também darão resultados limitados, necessitando daquilo que é chamado de método das perturbações, que é a construção de ferramentas aproximativas, para se aproximarem do ente ou fenômeno em si. Um exemplo desse método podemos encontrar no cálculo do efeito gravitacional do Sol sobre órbita da Terra; é obvio que não apenas o Sol exerce influência gravitacional sobre a Terra, existindo influências de todos os demais planetas, da Lua, de qualquer meteoro ou de cometa que passe por perto, ou de qualquer aglomerado estelar distante, mas, através da teoria das perturbações, tais influências gravitacionais são desconsideradas e é feita uma aproximação como se apenas a massa do Sol de fato existisse para causar atração. Os cálculos sobre essa questão, portanto, apenas levam em consideração a massa solar, desprezando as demais perturbações gravitacionais de outros corpos celestes; na verdade, a distorção chega a um ponto de que se forem inseridos pelo menos mais dois corpos dentro dessas equações, toda teoria torna-se praticamente insolúvel. A maioria dos demais campos científicos possuem seus mecanismos aproximativos equivalentes.

Com isso em evidência, torna-se notável como, a partir de certo ponto, as leis científicas não tratam mais de qualquer verdade, constituindo-se em meros conceitos de conceitos, chegando ao ponto de construir verdadeiras irrealidades, como o plano inclinado sem atrito, sociedade sem diferenças, níveis abaixo da distância de Planck, mercado com economia autoreguladora, etc., coisas que deveriam ser inaceitáveis para quem se supõe não tratar delas.

clip_image012Citemos um exemplo do que foi argumentado até agora: a Teoria do Big-Bang. Como toda boa teoria científica, os físicos delimitaram o “espaço” no qual essa teoria deve ser aplicada, que é desde o “começo do universo” até os dias atuais; mas fora desse limite o Big-Bang simplesmente não diz nada, simplesmente descarta da existência; nesta teoria que se propõe ser a explicação da origem do cosmos ficariam fora de seu limite toda uma infinitude de possibilidades existenciais que estariam antes do “ovo cósmico”, entre elas tudo que nos remeta à Origem do Espírito. Obviamente este é o recorte máximo que a física moderna faz. Outro exemplo é a Relatividade, cujo recorte se limita a seres que viajam a velocidades próximas a da luz. Na psicanálise, onde vemos a razão do Doutor Freud reduzindo toda psique humana aos aspectos sexuais por ele escolhidos como aspectos preeminentes. Na famigerada Teoria da Evolução de Darwin, cujo sentido sinárquico e antiespiritual é bastante significativo, afirmando que o pasú é o único ser que originou o virya, sendo este puro descendente animal do primeiro; afirmando ainda que os demais seres vivos surgiram a partir da evolução de outros, quando mesmo nos dias atuais absolutamente nenhum sinal de espécie intermediária entre dois níveis evolutivos foi encontrada, ou seja, nenhuma prova há que confirme a plausibilidade da idéia Darwinista. Dentre inúmeros exemplos que poderíamos citar.

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Neste ponto, todavia, é preciso salientar que existe uma enorme diferença entre os avanços tecnológicos e a Ciência. As descobertas de novos materiais, de novas formas de instrumentos e ferramentas eletrônicas, de objetos tecnológicos computadorizados, máquinas manipuladas à distância, a utilização de nanotecnologia, de toda uma gama de equipamentos que fazem coisas cada vez mais rápidas e perfeitas, tudo isso considerado como avanço tecnológico moderno, apesar de chamados de “maravilhas da Ciência”, são, na verdade, pertencentes a uma ordem diferente de fenômenos. Tais avanços tecnológicos constituem-se na progressão dos arquétipos universais em direção a suas respectivas enteléquias, em direção à perfeição do arquétipo. A Ciência apenas corre atrás desse avanço, em poucos momentos entrando em sincronia direta com esse processo, e desses pontos de contato extraindo toda sua autoridade e “fama”. Todos os arquétipos já estão determinados no Mundo Arquetípico pelo Demiurgo, o virya age no sentido de atualizá-los no Mundo Material, para posterior signação do arquétipo, já sob a forma de ente, pela comunidade, criando cultura, transformando-o em objeto cultural, só a partir daí é que a Ciência vai elaborar uma linguagem lógico-formal sobre ele. A Tecnologia, então, precede a Ciência (“primeiro o homem controlou e dominou o fogo, só depois surge a explicação do que é realmente o fogo”).


clip_image016Quando o sujeito consciente deixa-se fagocitar por um direcionamento à esfera racional, a razão passa a ser preeminente na observação da realidade, o sujeito não apenas usará a razão para observações científicas, mas toda a realidade será vista através do prisma racional; este é o efeito cientificista do culto shambálico, que determina a formação de toda uma gama de viryas dormidos que serão mais fagocitados do que outros, os mais presos nesta armadilha, em geral, são chamados de ateus e originam o Ateísmo como arquétipo psíquico. São eles os maiores “crentes” desse culto, aqueles onde a razão mais nubla o Espírito.

Sabemos muito bem que o meio que os arquétipos têm de resolver suas antíteses dialéticas é através da guerra. Não por acaso vemos a contenda secular entre ateísmo e religiões, entre fé e ciência, mobilizando batalhões de viryas dormidos para que despejem suas Vontades na defesa desse ou doutro ponto dialético da ciência ou da fé, quando, na verdade, os dois são ilusões e labirintos que obscurecem a Verdade do Espírito. É uma guerra falsa, travada no nível da alma, com sua essência gregária e nunca total, sempre limitada até outro arquétipo tomar preeminência.

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Avitvs Avgvstvs
Ave Legio VI - Volvntas Invicta

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