Sugerimos aos leitores deste texto que o leiam ao mesmo tempo que ouvem esta marcha rúnica ao fundo, tal sugestão se faz clara afim de que se quebre qualquer eventual direcionamento exacerbado às esferas afetiva ou racional.
O que aqui comentaremos é o resumo básico dos elementos necessários para a construção inicial e preliminar de uma estratégia exotérica por parte de grupos de estudantes da Sabedoria Hiperbórea que se encontram na heróica trilha de Honra e Valor em direção à purificação do Sangue que os levará, através de determinada Mística, à formação de um coeso e pétreo círculo carismático hiperbóreo.
É preciso deixar claro que todo grupo de estudantes da Sabedoria Hiperbórea está sujeito a ter seu impulso formativo inicial – que é baseado no vínculo carismático de sua estirpe hiperbórea – obscurecido pela efusão gregária de uma mera vontade cultural psicológica. Este fato invariavelmente resultará numa instabilidade espiritual que fará ruir o grupo tão logo o egrégoro mais baixo e inferior venha a tona.
Portanto, torna-se imprescindível, desde o momento mais inicial do ajuntamento de três ou mais viryas despertantes, que a Mística seja cultivada, exaltada e protegida. Obviamente, nesse contexto, pressupomos o caminho individual do virya em seu despertar, através das prescrições contidas nos diversos textos do Nimrod.
Um outro elemento que devemos comentar é o fato possível de que um virya que venha a iniciar seu duro percurso rumo à Libertação Espiritual, ou seja, aquele que despertou para o Despertar, já inicie sua senda como pertencente a um determinado grupo cultural que, a depender da pureza de sangue dos membros e do próprio virya, pode encontrar-se mais afastado ou menos afastado do conhecimento transmitido pelos Siddhas Leais. É necessário, neste caso, que o virya despertante aprenda a barrar e filtrar esotericamente as influências telúricas e materiais que permeiam a estrutura arquetípica do grupo, para que, posteriormente, ao longo da aquisição da semântica noológica, ele possa direcionar exotericamente os rumos e o posicionamento estratégico cultural do grupo; isto se considerando o caso do grupo ter sido formado por uma tênue expressão inconsciente da Memória de Sangue; caso não seja este o exemplo, o virya terá de friamente, sem o mínimo gasto de energia psíquica, desvincular-se do grupo e declará-lo inimigo ou “idiotas úteis”.
Grupos de todos os tipos e de todos os formatos arquetípicos estão borbulhando por todo o Brasil, pelos mais inferiores motivos pensados pelo Demiurgo que se possa imaginar. A imensa maioria deles são apenas movimentos de união física construídos sobre a atração gregária característica da alma, alimentados por um compartilhado sentimento de medo, sofrimento, por ganho material, intelectualismo, etc. São uniões antivirís cujo modelo arquetípico varia do sacerdotal ao lúdico. Como tais, caminham à enteléquia fagocitadora, ou, o que ocorre na maioria das vezes aqui no Brasil, dado o grau destrutivo da superestrutura cultural, apenas somem depois de um tempo. Na verdade, tais agrupamentos são subprodutos de psiquismos gregários resultantes da dinâmica cultural de uma ou outra estratégia psicossocial, cujo nível de existência, em geral, é restringido à virtualidade ou àquilo que chamamos de tribos.
O risco do desmantelamento precoce e da mediocridade também ameaça grupos erigidos através de um ideal que é reflexo de um determinado conhecimento hiperbóreo (conhecimento esse exotericamente antigo ou atual). Os problemas geralmente concernentes a esse risco são o desconhecimento e a ignorância acerca da importância primordial da esfera simbólica, o desleixo com relação ao material humano, a limitação de objetivos, dentre outros, os quais são, sem surpresa, oriundos do caráter psicológico não-noológico dos elementos que impregnam o grupo e seus membros.
Um virya desperto, ou mesmo um círculo carismático, que em contato exotérico esteja com um tipo do acima citado deve atuar em dois sentidos: primeiro, purificar semanticamente o elemento arquetípico hiperbóreo que serviu de base anímica para o ajuntamento grupal, seja, por exemplo, um sentido conjunto antidemocrático, um gosto pela exaltação da ética guerreira, seja, ainda, o estudo teórico de alguma civilização hiperbórea ou de algum mestre que porte inconscientemente Símbolos Eternos em seus livros ou esculturas ou poesias; deve ainda o virya proteger esse elemento de qualquer impureza cultural, utilizando-se cuidadosamente do poder da Semântica Noológica, onde ele analisará e manipulará tapa-signos e os símbolos estratégicos em conformação com a cultura exterior; e, segundo, atuar no sentido vital de substituir, na medida do possível, o vínculo passivo psicológico, que serve como agregante anímico do grupo, por uma ligação mais profunda e espiritual (que pode, naturalmente, mas não obrigatoriamente, atingir o nível de um círculo carismático hiperbóreo, mediante todos venham a despertar) cuja expressão na esfera de luz do macrocosmo deve culminar na exaltação da Honra e do Espírito de sacrifício; para isso o virya pode utilizar-se de seu próprio carisma pessoal (não necessariamente como líder).
Toda esta ação deve ser embasada na capacidade propriamente política do virya (ou do círculo), na sua calma, paciência e frieza polar, aos moldes de um aristocrata romano, ou de um Cavaleiro Tirodal. Contudo, nunca é pouco frisar, sem o domínio claro da Semântica Noológica praticamente nada se conseguirá.
Considerando-se a partir de agora a presença de viryas despertantes, conformados num grupo de estudos de essência Mágico-Hiperbórea – o momento anterior à formação do círculo concêntrico de viryas despertos – traçamos alguns pontos estratégicos que podem ser tomados como sugestões básicas para uma atuação exotérica.
O primeiro ponto é construir uma sólida base cultural que sirva de alicerce teórico para o manejamento de símbolos e aplicação estratégica de tapa-signos, que permita ainda aos viryas transitarem de um significado oblíquo a outro de determinado ente ou fato cultural de acordo com a necessidade, que possua ao mesmo tempo um forte caráter espiritual e auxilie no despertar individual paralelo, e que tenha alguma expressão cultural na esfera de luz do macrocosmo. Essa base cultural deve, portanto, ser construída por sobre aspectos estrategicamente determinados do pensamento de diversos pensadores que fazem parte da Linhagem Hiperbórea, fatos culturais, entes históricos do macrocosmos, poder carismático de líderes, dentre vários outros elementos.
Basicamente o que o virya tem de fazer é identificar os símbolos eternos contidos na estrutura biográfica do autor ou em qualquer dos elementos acima citados e purificá-los semanticamente da cultura exterior, além disso, ele deve por em evidência fatos culturais estratégicos através de um critério estritamente noológico, resignando qualquer motivação histórica material ou mesmo espiritual que não seja a Guerra Eterna dos Espíritos Hiperbóreos.
Uma ampla gama de leituras e estudos se faz necessários para a construção dessa base cultural, tocando diversos pensadores, inclusive aqueles reconhecidamente agentes do Pacto Cultural, e diversas áreas do conhecimento, viagens, encontros, etc, tudo isso, alertamos, não com um objetivo de adquirir uma carga intelectual por si só, ou seja, todo esse esforço necessita ser direcionado estrategicamente, e toda ação, nesse sentido, deve ser inspirada pelo sentido do Trágico, pela ausência de expectativa de reconhecimento e o completo desprezo e indiferença gélida frente ao tamanho da força do inimigo, e, principalmente, pela aura hiperbórea transcendente do retorno à Origem.
Neste ponto o virya(s) corre um risco relativamente normal de que um símbolo sagrado, através de uma debilidade de um sujeito racional não controlado, venha a intentar emergir na esfera de luz e dominar ao Eu despertante; esse símbolo vem contido no arquétipo do sábio, do mestre. Devido a sua capacidade volitiva em franca ascensão tornar-se-ia fácil e tentador ao virya superar intelectualmente qualquer dito sábio ou pretenso desafiante, contudo, isto é apenas mais uma armadilha; ao guerreiro hiperbóreo só se faz necessárias as armas que ele usará em sua guerra, não se deve carregar coisas demais, ou seja, ele deve aprofundar-se num conjunto de arquétipos até o ponto necessário, o qual, por sua vez, é estrategicamente determinado. Só um virya efetivamente desperto pode manejar o arquétipo do sábio perfeitamente sem ser fagocitado e utilizando-o dentro da estratégia dos Siddhas Leais.
À medida que a estrutura cultural interna vai se adequando à aquisição de novos enlaces e princípios, significados tornados oblíquos e esquemas sêmicos esquecidos na esfera de sombra começam a funcionar em uníssono e relações sêmicas apagadas pela cultura vão se reformando, deixando o virya cada vez mais astuto quanto à visualização de conceitos culturalmente distorcidos pela sinarquia, além de ter seu poder de desvendar os desígnios que o Demiurgo plantou em cada ente aflorado.
Neste ponto, asseguramos que o virya(s) tem a fixação daquilo que podemos chamar de uma Visão de Mundo, ou Cosmovisão. Mas sobre esse termo algumas ressalvas se fazem necessárias: o termo “visão de mundo” que aqui utilizamos não diz respeito à forma hodiernamente encontrada em livros, nos quais se pode evidenciar esse termo referindo-se ao modo em que todas as pessoas enxergam o mundo material ao redor, a política, as notícias, o entretenimento, etc, e suas respectivas opiniões. Expandimos o termo “visão de mundo” para que atinja o sentido verdadeiro de real e profunda sabedoria do que se passa no macrocosmo, possibilitada por uma total integração e conformação entre os estratos psíquicos interiores; ou seja, “visão de mundo” é a conformação de congruência entre o inconsciente coletivo herdado, o sujeito consciente e o Eu despertante, sincronizados pelo Sangue. Diante disso, o virya perdido não tem uma verdadeira Visão de Mundo, pois ele apenas capta lapsos limitados do macrocosmos de forma historicamente linear e não os consegue relacionar com toda a Criação e seus ciclos, fragmentando seu Eu em
áreas de interesse, no geral, grandemente influenciadas pelo arquétipo profissão. Este estado confuso nos possibilita identificar diversos interesses conflitantes, diversas idéias contraditórias, pensamentos labirínticos, enfim, o virya perdido é constantemente arrebatado por ideologias e sugestões de massa, influxos psicossociais e modelos psíquicos meramente padronizados pela cultura.
Construída uma verdadeira Visão de Mundo, surgirá na esfera de luz do microcosmos um estável arquétipo psíquico maior, a partir do qual é possível observar e ter acesso quase imediato a outros arquétipos psíquicos diversos, bem como julgar e comparar a falsidade de um determinado arquétipo, ou símbolo ou ente. Desta verdadeira muralha psíquica é possível identificar as armadilhas culturais e labirintos existentes em qualquer superestrutura cultural. Qualquer teoria, qualquer ente que se visualize, ou qualquer dogma que a cultura queira fazer o virya acreditar, exaltar e adorar, serão filtrados e repelidos por tal barreira, possibilitando ao mesmo, através de torres rúnicas espalhadas ao longo da muralha mental, um contra-ataque, por mínimo que seja.
Essa Visão de Mundo não é, obviamente, o Despertar Espiritual, mas é um elemento anterior que serve de suporte estratégico para o real Despertar, que auxilia o atuar exotérico do virya ou de um grupo de viryas despertantes. Só com essa visão de mundo é possível que a ancestralidade (Minne) se expresse de forma progressivamente coletiva, em direção a uma estratégia psicossocial. Na verdade, pode ser ela mesma uma estratégia psicossocial, pois através dela uma comunidade instalada numa determinada psicorregião pode ser culturalmente sincronizada, passando os habitantes a se entenderem mais profundamente, a se organizarem de acordo com os princípios metafísicos dessa Visão, abandonando a animalidade e o caos social implantados pela divisão cultural capitalismo-socialismo, religião-ciência, e todos os arquétipos fragmentadores da esfera psíquica individual e coletiva.
Nota-se, a partir disso, que toda e qualquer atuação exotérica, assim como também uma estratégia psicossocial propriamente dita, deve primordialmente atuar no sentido de restaurar e fortalecer as esferas psíquicas e a dinâmica entra elas no microcosmos, ou seja, toda e qualquer atuação exotérica preliminar deve ser direcionada para a formação e coesão de uma Visão de Mundo, de uma Cosmovisão.
Concluindo, é preciso que o virya despertante fixe que a via da atuação deve ser construída sobre um alicerce noológico, de forma que a atuação exotérica não seja entendida como uma obrigação primordial do virya, o que só leva a protagonismos infrutíferos e desistências precoces.
Com Honra e Valor todos aqueles que sentem o chamado do Graal, através de seu Sangue, devem estar em posição estratégica pétrea, com armas prontas para o combate, pois os preparativos para mais uma batalha nesse mundo de ilusão é nosso dever pois o tempo se aproxima.
AVITVS AVGVSTVS
AVE LEGIO VI













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