O Anahata Chakra, centro astral do microcosmo que concentra os símbolos mais irracionais, é, de fato, uma estrutura delicada dentro do microcosmo do virya, cujo poder é capaz de aprisioná-lo em várias armadilhas.
O controle deste chakra e a destruição última de suas funções deve ser algo almejado por todo cavaleiro despertante dentro da Guerra Essencial.
Por qualquer um é sabido o quanto um homem ou uma mulher podem ser presos pelas “armadilhas do amor” e desprenderem gastos enormes de energia psíquica por símbolos projetados em entes de carne, gerando dor e sofrimento.
Com relação a amores, relacionamentos, a tudo referido direta e indiretamente ao Anahata e à esfera afetiva, é preciso todo cuidado, pois o virya pode sempre ser pego em momentos em que sua guarda está baixa e as necessidades fisiológicas, aparentemente controladas num certo nível, podem romper com um influxo simbólico da esfera de sombra que o prenderão a este chakra.
No mundo do virya dormido é possível encontrar indivíduos que possuem um interessante e, diríamos até engraçado, controle psíquico deste chakra e da maioria dos processos que o envolvem. Engraçado porque, na verdade, é apenas uma aparência de domínio, que não ocorre sem a concomitante perda e diluição de outras funções psíquicas, como a própria predisposição gnóstica. Acrescente-se a isso o fato de que, em sua maioria, esta suposta habilidade encontra-se na dependência de fatores simbólicos preeminentes encarnados em entes materiais socialmente valorizados, ou numa certa harmonia física, que em nada se liga à proporção natural decorrente da pureza astral e natureza própria, mas pode ser até mesmo uma construção artificial.
Este tipo de virya dormido perfaz o exemplo do homem cuja atitude ética é a pura virilidade fálica, mera sensualidade materialista.
Esta deturpação da verdadeira virilidade – que é espiritual, provinda da Honra e da Coragem – encontrada, como dissemos, nesses “varões” ou “machos alfa”, ademais de sua valorização cultural nesse mundo em decadência, esconde um estado de limiar de fagocitação psíquica, ou mesmo de uma fagocitação em nível inicial, do sujeito consciente pelo símbolo sagrado da alma, a anima. É possível assegurar que o estado dos espíritos nessa época da Kali Yuga, em que o inimigo detém o controle de quase todas as formas materiais, é bem propício a estímulos simbólicos que só afirmam o caminho decrescente e concretizam a completa fagocitação do sujeito, levando posteriormente o controle do Anahata Chakra a ser substituído por um controle mais inferior que é exercido pelos centros sacrais. Personalidades do mundo das celebridades, governantes políticos, e demais agentes culturais preeminentes e estrategicamente importantes para a sinarquia, possuem um visível determinismo comportamental derivado do controle exercido pela região sacral, a despeito de sua raça ou movimento psicossocial a que esteja ligado. Tais seres, por quase nenhuma capacidade volitiva, e mesmo uma destruição da estrutura cultural interna quando em estágio avançado, são cultivados e colocados nos postos mais determinantes para a cultural exterior, pois como seres larvais respondem facilmente a estímulos sugestionáveis vindos “de cima”, são, enfim, mais fáceis de controlar.
O estado de fagocitação pelo Anahata chackra é caracterizado pela extrema exteriorização de símbolos envoltos no tema do amor romântico, com perfil arquetípico, na época atual, do estilo pequeno burguês, materialista. É a redução de todas as esferas às funções envolvidas no crescimento e exaltação do amor do pasú pela mulher de carne. Isso, como já foi dito, vem acompanhado de uma dissolução da virilidade, e principalmente da predisposição gnóstica, com a propagação cultural de valores femininos (negativos do aspecto Kali negativo), devido à sincronização da esfera de sombra do ser fagocitado com o símbolo de sua anima e o forte direcionamento de todos os entes à esfera afetiva. No caso em que o controle do Anahata chakra é passado para os chakras sacrais essencialmente apenas um tipo de comportamento será encontrado na base de todos os outros: a promiscuidade.
Em nível coletivo, podemos afirmar que é uma estratégia sinárquica efetiva o crescimento da potência do chakra do coração bem como dos sacrais, podendo o “sentimentaloidismo” e a promiscuidade – esta última designada como universalismo – serem observados na macroestrutura cultural exterior, na filosofia, política, ética, etc.
Aparte destas considerações, focaremos no caso específico do virya solitário, melhor dizendo, em sua estratégia individual, e como as armadilhas do Anahata chakra podem atrapalhar ou mesmo impedir o despertar do Espírito aprisionado.
Ao guerreiro despertante apenas uma prescrição primordial deve ser dada: não se deve gastar demasiada energia volitiva em tais questões amorosas; e para tal intento aconselhamos o exercício estratégico da indiferença frente à mulher de carne, sua beleza arquetípica, seus símbolos e suas características anímicas. A indiferença é um aspecto da AGL, derivado da frieza do coração glacial que deve ter o virya desperto.
A indiferença é um estado espiritual no qual o dispêndio de energia psíquica é mínimo com referência a determinada representação. Através dela o virya despertante tem a possibilidade de permanecer duro e calmo frente a situações correntemente conflitantes as quais invariavelmente consomem energia deixando o homem dormido psiquicamente exausto e fadigado, entregando-se ao primeiro fator cultural que o prometa “esquecer” tais problemas. Brigas, traições, rompimentos, mentiras e jogos são naturalmente os ocorridos que podem ser classificados como consumidores desta energia, podendo chegar ao ponto da formação de egrégoros no plano astral possibilitando a desestabilização de toda estratégia individual.
Deve-se ser indiferente a esses fatores. “Eu simplesmente não me importo com isso” deve ser a frase evocada interiormente pelo virya em casos nos quais sua vida amorosa, o anahata chakra, ameaça tomar preeminência e ascender qualquer símbolo sagrado na esfera de consciência. Um simples sorriso luciférico emitido com todo valor e fria potência pode dissolver todo esse mecanismo psíquico demiúrgico.
O virya desperto sabe naturalmente disso, e seu Espírito é praticamente imune a gastos de energia com tais coisas demasiado femininas. Este tipo de homem superior só pode ser atacado pelo Anahata Chakra através de uma segunda intenção demiúrgica. Esta segunda intenção pode ser desenrolada por processos cármicos do virya em relação ao amor e vidas passadas, aspectos anímicos e mesmo armadilhas do Demiurgo, no intuito de destruir o virya de dentro para fora. O demiurgo “confecciona” para o virya o qual deseja afetar, desde o astral, uma anima similar e compatível com a do virya e em seguida o joga como “isca” para que o virya projete nesta mulher de carne, a anima e então seja “fisgado” por processos cármicos de repetição anímica e amorosos desde outras vidas.
Nestes casos, todo o processo passa pela explosão de símbolos sagrados e imagens em sua maioria insurgida mesmo de chakras do corpo todo, onde que existem os registros das vidas passadas e o sujeito anímico da alma do virya, permitindo até mesmo provocar Déjá vus simultâneos com a mulher “isca”. Desencadeiam, então, processos desde o astral, com sonhos, projeções e até ligações com a mulher de carne mesmo que a distância, produzindo efeitos devastadores da estrutura psíquica e mental do virya. Geralmente o Demiurgo se utiliza de criaturas fêmeas, predispostas a perversão, maldade nata do ser e que possuem o aspecto Kali negativo (Kali satânicas) estas mais comuns em tempos do Kali Yuga. A problemática se dá pelo fato de que tal “isca” age consciente, eliminando a possibilidade de “burlar” esta armadilha e se antecipar contra seus ataques psíquicos e chantagens emocionais, pois a mesma tem suas ações determinadas pela egrégora criada desde o astral, confeccionado pela segunda intenção demiúrgica.
A partir daí entra-se numa espiral de dor e sofrimento, de dilemas, fantasias, projeções e dramas vivenciados pelo processo cármico anímico, desencadeado por um demônio em forma de mulher, lilith negativa, e esta por crueldade consciente fará de tudo para que mais e mais o coloque de joelhos. A única forma imediata de romper com essa relação, é cortar lhes a cabeça. Claro que em tempos antigos isso era muito mais fácil de conseguir tendo em vista que este era o papel maligno de feiticeiras e nos mitos gregos eram as famosas bacantes (também associada ao mito das vampiras), dos quais heróis e guerreiros a venciam cortando suas cabeças. Nos tempos atuais, o que pode ser feito é cortar a relação de sentido, resignar o símbolo sagrado com toda força que possuir, pois a não resignação ou corte da relação de sentido com esta demônia bacante, levará o virya até mesmo ao suicídio. A mesma absorve toda energia volitiva do virya, como uma vampira astral, e se alimenta disso como meio de existir nesta existência física plasmada em forma de mulher, que tal mito é refletido num dos aspectos da personalidade anímica de uma mulher de carne aleatória, porém com a projeção da anima similar ao do virya a ser atacado.
Quando se obtém o êxito de romper a relação de sentido, cortando qualquer contato com esta criatura maligna em forma de mulher, se desenvolve a partir daí outro processo ainda mais doloroso: o colapso mental. Apenas viryas com uma força volitiva muito grande, poderia desenvolver e emergir com tamanha violência símbolos e imagens quase que instantaneamente, mesmo que pela fagocitação do processo, este requer uma força volitiva enorme para que o símbolo emerja à esfera de luz. É então que diante do rompimento emocional/afetivo com este ser vampírico que o microcosmo do virya tenta a todo custo se realinhar, utilizando dos símbolos e imagens que restaram para lhes sugar energias psíquicas como parasitas. É quanto no mesmo tempo, o logos Kundalini, tenta ascender e despertar causando uma ultima tentativa de “assumir o controle” do microcosmo do virya, na tentativa de destruir sua estrutura cultural e assumir o controle. É neste momento que se o virya não possuir uma força volitiva suficiente para manter sua consciência ele poderá cair em catatonia ou esquizofrênica total. Todo este processo de projeção com a Anima deste ser demoníaco é extremamente dramático, pois espelha o processo de aprisionamento a matéria, sendo assim muito doloroso e apenas com o tempo poderá, constantemente com força volitiva, superar e eliminar esta influencia deletéria do ser vampírico e sua egrégora.
Assim sendo, sexo, carinho, companheirismo, e quaisquer sentimentos que se possa necessitar, podem ser encarados como meras necessidades biológicas, com expressão mínima no caminho para o despertar espiritual, ou seja, o problema em si não é o sexo, ou o relacionamento amoroso, a confusão em geral se instala quando da projeção de um símbolo ou quando se fantasia. A fantasia, a sua criação por parte do sujeito consciente, é o passo inicial para a emergência de um símbolo sagrado, e, em tais casos, o símbolo que emerge é em geral a anima.
É justamente todo esse aspecto mais, digamos, normal e habitual da vida cotidiana o qual o gasto energético deve ser mínimo, tanto pela própria natureza inferior e dispensável dessa esfera habitual quanto pela superior importância do sistema estratégico de vida adotado pelo guerreiro.
Que esteja atento o virya para que não troque os planos de expressão de arquétipos e sua devida Ética guerreira não seja direcionada para fatos culturais de importância nula, apenas como exercício lúdico; em melhores termos: é preciso que o virya não confunda sua Ética noológica fundada na Honra do guerreiro com uma ética psicológica expressa como uma decadente honra no amor. Esta última seria até aceitável, mas que seja suplantada tão logo a primeira seja exigida. A verdadeira Ética Noológica só se expressa verdadeiramente quando se assume o caminho da oposição estratégica, que é uma via de guerra e de difícil trilha.
Não pense também o virya que seu estado duro e frio o autorize a menosprezar as projeções que a mulher de carne incide sobre ele, e que possa chegar ao nível em que tal mulher seja uma dependente anímica de sua imagem. Isto é um estágio de degeneração. Neste caso o próprio virya transforma-se numa máquina geradora de sofrimento. O modo de relações interpessoais fabricado pelos símbolos burgueses predispõe a esse sofrimento de parte do lado feminino, por ter uma congênita visão deturpada do que seja a mônada feminina.
Mas nos concentremos agora no caso do virya que é preso por um amor relâmpago, uma paixão fulminante, ou o reencontro de um amor antigo.
Numa linguagem psicológica mais habitual diz-se que o processo básico por trás desse fenômeno é a projeção do símbolo da anima, o símbolo do feminino arquetípico encarnado na alma criada. Por ser um símbolo sagrado, de grande poder energético esse símbolo complexo tenta tomar o controle do eu perdido e dividi-lo em aspectos nos quais o domínio recaia sobre o próprio símbolo.
Disto surge um afluxo de imagens, desejos e representações diretamente ligados à projeção na mulher de carne. Passado e futuro do virya passam a ser explicados e vistos em íntima relação com a presença ou ausência desse amor. Tão logo a emergência do símbolo se estabilize no limiar de consciência nenhum outro arquétipo será interpretado e visto sem um grande direcionamento à esfera afetiva.
Até a estabilização do símbolo no limiar encontramos o virya numa etapa inicial. Esta etapa marca a diluição do poder volitivo do virya, e a intensificação de sua confusão perante o mundo. A próxima etapa é aquela em que se dará o gasto energético, e a prisão e fagocitação verdadeiramente ditas, pois irá surgir da incompatibilidade da mulher de carne com a anima, da incompatibilidade desta mesma mulher com os significados de arquétipos e entes da superestrutura cultural na qual vive o aprisionado. O virya, na tentativa de nivelamento de todos esses elementos à sua imagem projetada, e impelido por sua vontade corrompida, tentará entender o motivo desta incongruência, entrando numa espiral de significações, numa dialética com a mulher objeto de sua projeções que produzem dúvidas e fraquezas, e neste ponto seu gasto de energia é intenso, onde qualquer pormenor referente ao seu “amor” já é motivo para uma mobilização intensa de energia.
Se por um acaso a projeção é compatível animicamente com a mulher de carne então um outro processo entra em cena, que é o sentido de harmonia e o desejo futuro de felicidade ao lado da companheira. Trata-se, na verdade, de um não menos perigoso caso de fagocitação.
Uma vida amorosa nos termos da indiferença e da frieza, assim como a pode praticar o virya desperto, pode até mesmo se assemelhar exteriormente a uma vida normal de um casal qualquer. Isto se deve ao simples fato de que o virya desperto, por não dar maior sentido e não desprender demasiado energia em tais elementos, passar despercebido para os sujeitos culturais ao seu redor.
Contudo, o virya pode muito bem ter sua vida normal, sua companheira e sua família, desde que seja estratégico. Não ser apenas uma rocha petrificada, estagnada, mas ser duro como a pedra e leve como ar e encontrar este ponto de equilíbrio para que tenha em sua família, sua trincheira de guerra ou seu alivio depois de um dia de guerra com sua companheira. O virya tem o direito a seguir sua vida, por mais difícil que seja, mas sem esquecer jamais sua missão encomendada aos deuses leais.
VVV
AVITVS AVGVSTVS
LVCIVS VORENVS
AVE LEGIO VI
VOLVNTAS INVICTA











